Evento na UFMG defende divulgação científica como ação política

A ciência como ação política, a missão questionadora da divulgação científica e o desafio de um jornalismo científico que vá além do meramente declaratório foram temas centrais da 1ª Jornada Amerek, realizada nesta segunda-feira, 25 de novembro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O evento reuniu um grupo diverso de pesquisadores, professores, comunicadores e interessados em divulgação científica e marcou o início das atividades do curso de Especialização em Comunicação Pública da Ciência.

Conhecido como Amerek, palavra de origem krenak que significa “beliscar“, o curso se destaca pela proposta de promover conexões entre diferentes atores do ecossistema da divulgação científica.

Desafios da comunicação pública da ciência

Na mesa de abertura, a Pró-reitora de Extensão da UFMG, Cláudia Mayorga lembrou o momento complicado pelo qual passa a ciência e a política, não apenas no Brasil, mas em toda a América do Sul. Segundo ela, o desafio é grande e exige vontade de todos para transformar a situação.

A fala foi acompanhada pela Diretora de Divulgação Científica do Instituto Serrapilheira, Natasha Felizi, que destacou que “quanto mais complicada a situação da ciência, mais importantes são as iniciativas de divulgação”.

Débora D’Avila Reis, Diretora de Divulgação Científica da UFMG, lembrou que o curso de especialização propõe atividades em sinergia com outras ações já desenvolvidas na universidade, como a Formação Transversal em Divulgação Científica, que reúne estudantes de graduação e de pós-graduação.

Já o coordenador do Amerek, Yurij Castelfranchi, destacou que o curso é de comunicação e não apenas de divulgação: “Envolve práticas de apropriação cultural da ciência e não simplesmente transmissão. São práticas mútuas de aprendizagem”.

Natasha Felizi, Débora D’Avila Reis, Cláudia Mayorga e Yurij Castelfranchi na mesa de abertura da 1ª Jornada Amerek.

Divulgação científica também é política

Esteves e as 51 perguntas que preparou para entrevistar o Ministro do Meio Ambiente.

Na mesa-redonda, Bernardo Esteves, repórter da Revista Piauí, direcionou sua fala para a necessidade de colocar a ciência nas notícias de política e trazer política na cobertura de ciências.

“Os fatores estão todos aí: não é cultural”, comentou, ao tratar dos incêndios na Amazônia e da cobertura realizada sobre o tema durante o governo atual, mas também em governos anteriores.

Esteves questionou, no entanto, em que momento as políticas ambientais passaram a não mais responder à constituição e ao dever de proteção do meio ambiente, que compete ao Estado.

O jornalista apontou para a necessidade de profissionais de comunicação serem mais responsáveis e cautelosos em relação a exageros.

“Precisamos evitar comparações inadequadas de dados e fatores que dão mais munição à guerra contra a ciência e o meio ambiente”.

Nesse sentido, jornalistas devem estar mais preparados para entrevistar figuras que querem enfraquecer a ciência.

“Também devem se preparar para dialogar com a sociedade sobre temas com profundas implicações éticas, como edição genética e racismo algorítmico“, apontou.

Além de Esteves, Débora D’Avila Reis e Yurij Castelfranchi apresentaram contribuições ao debate sobre os desafios da comunicação pública da ciência.

Na parte da tarde, o evento promoveu dois workshops sobre práticas e planejamento de conteúdo de ciência para ambiente digital.

Perdeu a mesa de abertura?

O evento foi transmitido ao vivo e a programação da manhã está disponível na íntegra no vídeo abaixo:

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