Realidade virtual ajuda no tratamento de fobias

Sabe aquele medo irracional de altura, água, multidões ou lugares fechados? Esses medos excessivos podem se transformar em doenças. Pesquisas de universidades brasileiras e a americanas apontam que entre 13% e 20% da população mundial sofre de alguma fobia e um dos tipos mais comuns é a acrofobia, o medo de altura.  Muita gente tem pavor de passar por experiências em prédios, mirantes, aviões, entre outros.

Situações de fobia ativam o sistema nervoso simpático no corpo humano, responsável por reagir a situações de medo e stress. É como se este sistema adequasse o organismo para o estado de alerta.

Mostramos no site Minas Faz Ciência Infantil como o corpo de uma pessoa com fobia reage. Confira.

Pensando nesse problema, pesquisadores da PUC Minas, em Poços de Caldas, desenvolveram um Sistema Realidade Virtual (RV) imersivo para tratamento da acrofobia, o E-fob. O projeto é uma parceria dos cursos de Ciência da Computação e Psicologia com objetivo de desenvolver e validar a aplicação baseada no uso de óculos RV e celular como ferramenta de auxílio.

De acordo com o professor Will Ricardo Machado, coordenador do projeto, estudos científicos sobre RV no tratamento de doenças estão se tornando mais comuns.

“Tenho trabalhado muito como tema da imersão e resolvi, junto com o grupo da pesquisa, aprofundar mais sobre o assunto das fobias. Procuramos colegas da Psicologia que trabalhavam com o tema e identificamos lacunas que poderiam ser preenchidas”, explica.

O levantamento bibliográfico apontou que a tecnologia RV pode ser usada como ferramenta de apoio a pacientes com fobias. De acordo com o professor, bons resultados são observados, principalmente, porque a pessoa não precisa efetivamente ser exposta ao medo durante o tratamento. “Com o uso da realidade virtual, não é preciso que o paciente esteja em lugar alto para experimentar as sensações”, diz.

Sobre o E-fob

Segundo Will Ricardo Machado, a aplicação feita na PUC Minas se diferencia de outros sistemas previamente desenvolvidos no Brasil e fora do país, porque consegue dimensionar a sensação que a pessoa teria ao ser exposta ao estímulo fóbico. “Boa parte dos aplicativos são feitos como ferramenta de apoio e não se preocupam em mensurar a sensação de medo”, afirma.

O E-fob é feito com base em ambientes reais do campus Poços de Caldas na identificação do grau de imersão do aplicativo. “Modelamos esses cenários virtualmente. Tentamos fazer o mais idêntico possível e estamos em fase de refinamento para ficar bem próximo do real”, detalha o professor.

Para o teste da aplicação, pessoas com e sem fobia foram levadas aos lugares reais no campus, onde foram avaliadas – por meio de questionário (Escala de Beck de Ansiedade) e medição de oxigênio do sangue e batimentos cardíacos (com uso de oxímetro). Depois, os dois grupos foram expostos à utilização dos óculos VR Box conectados a um celular Moto X4. Após esta etapa, também passaram por avaliações físicas.

“Identificamos que a qualidade do ambiente virtual é muito importante para os dispositivos e que, expondo os grupos a essas duas situações, podemos melhorar o grau de imersão”, explica o professor.

Ao todo, o E-fob tem oito ambientes imersivos que variam em grau de dificuldade causando diferentes sensações de imersão. A ideia é que possa ser usado por psicólogos que estão tratando pacientes com acrofobia e os pesquisadores estão avaliando se poderá servir, também, para diagnóstico.

Outros estudos

A equipe da PUC Minas desenvolveu também uma aplicação baseada em Realidade Aumentada para ajudar no tratamento de aracnofobia, medo de aranha. Nesse caso, os pesquisadores modelaram algumas aranhas que podem ser visualizadas usando óculos e câmera de celular.

A realidade aumentada funciona com marcadores no mundo real que se conectam a aplicações do mundo virtual. Dessa forma, pacientes são submetidos a testes de contato virtual com as aranhas, por meio do aplicativo FobiAR. Primeiramente, o animal fica parado, depois se movimenta e, por fim, é possível que a pessoa “coloque a mão no aracnídeo”.

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Luana Cruz

Doutoranda e mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Jornalista graduada pela PUC Minas. É professora em cursos de graduação e pós-graduação na Newton Paiva, PUC Minas, UniBH e ESP-MG. Escreve para os sites Minas Faz Ciência e gerencia conteúdo nas redes sociais, além de colaborar com a revista Minas Faz Ciência.

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