A trajetória das sociedades está diretamente relacionada ao desenvolvimento, pelo homem, de uma infinidade de novas tecnologias, não apenas aquelas desenvolvidas no período contemporâneo.

Tais “ferramentas” – criadas por motivos os mais diversos, da tentativa de domínio da natureza ao sonho da melhoria dos processos de comunicação entre os indivíduos – redefinem não apenas o cotidiano das coletividades, mas também (ou “principalmente”) seus padrões culturais, religiosos, econômicos e sociopolíticos.

Novas técnicas e dispositivos servem, ainda, de combustível ao entrelaçamento de experiências do passado, do presente e do futuro.

Na atual, e complexa, era da informação – tempos de culto à velocidade e de novas configurações espaço-temporais –, o “distanciamento do olhar do presente”, conforme ressaltam os organizadores de obra recém-lançada pela Editora UFMG, “permite repensar os acontecimentos por meio do sentimento da perda da noção de profundidade do passado e do ritmo conferido às longas durações”.

Em 16 textos – resultado das apresentações dos pesquisadores brasileiros que, em 2010, reuniram-se no I Colóquio Crítica da Cultura: o futuro do presente –, o livro promove rico debate em torno dos sentidos do “contemporâneo”, com ênfase na tríade “arquivo, gênero e discurso”.

Leia um trecho:

“Por ‘futuro do presente’ entende-se a sinalização do fim das utopias revolucionárias e o predomínio do instante, que se rompe com a concepção do tempo como longa duração, por este se privar de uma visão de futuro. O culto da velocidade exigido pela intensidade dos meios de comunicação e pela nova configuração temporal do presente contribui para o processo igualmente galopante do mundo globalizado do qual é cada vez mais difícil escapar.”

Ficha técnica

Livro: O futuro do presente – Arquivo, gênero e discurso
Autores: Eneida Maria de Souza; Eliana da Conceição Tolentino e Anderson Bastos Martins (organizadores)
Editora: UFMG
Páginas: 284
Ano: 2012