De Zeus a Krishna


Publicado em 21/03/2019 às 09:21 | Por Maurício Guilherme Silva Jr

Muitas são as formas de se embrenhar pelo vasto e fascinante universo de obras e personagens da Mitologia universal. Como exemplo, destaque-se a tríade essencial de “caminhos” e figuras a desvendar: deuses, mitos e heróis. Aos interessados em tais realidades paralelas – que, há tantos e tantos séculos, nos fazem sonhar e, também, redefinir nossa própria (e comezinha) existência –, esta obra introdutória de Kenneth C. Davis, colunista de jornais, comentarista televisivo e best seller do The New Iork Times, é possível compreender não apenas a essência de cada narrativa e/ou metaforização clássica, como entrelaçar as construções ficcionais a tradições, épocas e soberanias.

Elaborado com linguagem coloquial e diálogos bastante próximos ao leitor, o livro não se limita, como tantos outros trabalhos sobre o assunto, ao exclusivo “ambiente” dos mitos gregos. Em 728 páginas e nove capítulos, Davis viaja do Egito à Mesopotâmia; da Índia à China; da África subsaariana às ilhas do Pacífico.

No mais, para além de informações específicas de cada “território”, o autor opta por eleger, descrever e problematizar eixos centrais às estruturas míticas, como se pode observar pelos subtítulos de várias seções da obra: “Uma era de machas, uma era de espadas”; “O brilho de mil sóis”; “Povos antigos, mundos novos”; ou “Círculos sagrados”.

Trechos

“Até hoje, na Índia, muitos hindus ainda oferecem seus cabelos a uma de suas divindades, em agradecimento à ajuda recebida na cura de doenças, ou para pedir boas notas nas provas. Mas o que alguns desses hindus devotos não sabiam era que depois seus cabelos serviam para produzir perucas caríssimas, que geravam um comércio exportador de 62 milhões de dólares. Mas eis que um grupo de crenças acabou batendo de frente com outro grupo de crenças, pois muitas das perucas eram compradas por judias ortodoxas que seguem um antigo código de conduta que as proíbe de exibir os cabelos em público após o casamento. Quando rabinos ortodoxos de Israel revelaram que tais perucas eram feitas de cabelo que fora ofertado com propósitos de idolatria, o seu uso foi proibido. De acordo como The New York Times, milhares de judias ortodoxas queimaram em público suas perucas de cabelo humano.”

Livro: Tudo o que precisamos saber, mas nunca aprendemos sobre mitologia

Autor: Kenneth C. Davis

Tradução: Maíra Blur

Editora: Difel

Páginas: 728

Ano: 2017

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