Uma das mais temidas doenças de todos os tempos, o câncer tem sofrido reveses importantes. Devido ao vasto número de pesquisas e ao múltiplo auxílio das tecnologias, inúmeros se revelam, hoje, os avanços na luta contra a enfermidade. Trata-se de estudos que vão da prevenção – com a busca por uma vacina, por exemplo – à realização de diagnósticos com maior correção, além de cirurgias mais assertivas e medicamentos específicos, que atacam apenas as células tumorais, ou que impedem o câncer de espalhar e ocasionar a tão temida metástase.

Em 2016, uma enxurrada de boas notícias pipocou em anais de revistas científicas, com a divulgação de pesquisas que mostram avanços no combate à doença. Em 2016, uma enxurrada de boas notícias pipocou em anais de revistas científicas, com a divulgação de pesquisas que mostram avanços no combate à doença. Uma delas foi realizada na Alemanha, onde cientistas do Instituto Max Planck e da Universidade Goethe acreditam ter descoberto o mecanismo de migração do câncer, ou, em outros termos, o porquê e o modo como os tumores se espalham. Desse modo, pretendem trabalhar para impedir que a metástase – quando células individuais se separam do tumor principal e entram no sistema circulatório, seguindo, livremente, a qualquer parte do corpo – aconteça.

Para os cientistas alemães, ao compreender o mecanismo de transporte, será possível impedir a movimentação do tumor. Os testes já foram usados em ratos e deu certo. Os animais apresentaram quadros de menor metástase. Agora, é verificar se os resultados se confirmarão em seres humanos.

Vacinas   

Outra novidade, divulgada em artigo na revista científica Nature, diz respeito à possibilidade de se chegar a uma vacina universal contra o câncer. Segundo o estudo, a substância estimularia o sistema imunológico a produzir células capazes de atacar os tumores, como se fossem vírus.  O que a difere das outras vacinas é que será usada em pessoas já com câncer.

Testes foram realizados em ratos e em três pacientes humanos. No primeiro homem, o tumor diminuiu de tamanho após a aplicação. Em outro, cujo área fora removida por meio de cirurgia, a cura veio sete meses depois. Por fim, terceiro voluntário permaneceu clinicamente estável. Pesquisadores estudam se os resultados obtidos têm a ver, diretamente, com a vacina aplicada.

Novos tempos

Segundo o professor André Márcio Murad, diretor clínico da Personal (Oncologia de Precisão e Personalizada), pesquisador e coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os avanços no combate ao câncer ocorrem em diferentes frentes, “do entendimento das causas da doença a formas mais adequadas de prevenção e rastreamento. Do mesmo, o diagnóstico e o tratamento passaram por profundas e extraordinárias mudanças nos últimos anos”.

No que diz respeito aos avanços cirúrgicos, o tratamento tem ficado cada vez menos agressivo e mais seguro, o que resulta em maior preservação dos órgãos envolvidos.  Tudo isso graças às cirurgias vídeo-assistidas e/ou robóticas, que têm caráter minimamente invasivo, o que resulta em diminuição da dor, do sangramento e da necessidade de medicação analgésica pós-operatória. “A tecnologia veio para ficar. Nos Estados Unidos, o câncer de próstata já é cirurgicamente tratado, em cerca de 80% dos casos, por via robótica”, observa.

Em relação ao diagnóstico, os exames de imagem também avançaram nos últimos anos. Além de ressonâncias magnéticas, o aparelho de Tomografia por Emissão de Pósitrons, acoplado à Tomografia Computadorizada (PET/CT), tem sido essencial.  Diferentemente das radiografias ou tomografias convencionais, cujo principal objetivo é a visualização da estrutura do corpo e a identificação de lesões, trata-se de exame funcional, que verifica o funcionamento corporal em nível molecular. “Desse modo, permite um estadiamento mais correto dos tumores, de maneira a determinar sua extensão com precisão, o que pode evitar cirurgias desnecessárias. É possível, ainda, avaliar com eficiência a evolução do tratamento de vários tumores, como o câncer de pulmão e os melanomas”, explica Murad.

“A introdução de novas tecnologias de imagem da Medicina Nuclear no Sistema Único de Saúde (SUS) foi outra grande conquista para os pacientes oncológicos”, reforça o professor Marcelo Mamede, subchefe do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina da UFMG. Ele lamenta que nem todas as indicações do uso da metodologia sejam contempladas pelo SUS, diferentemente dos planos de saúde privado, que apresentam lista mais extensa.

Coordenador de pesquisa centrada no uso de radiofármacos (agentes radioativos) PET para o diagnóstico, Mamede acredita que o uso do método de imagem da Medicina Nuclear pode ser largamente empregado. “No momento, testamos a metodologia em pacientes com câncer de próstata e a comparamos com outras, já disponíveis no Brasil. Os dados têm sido positivos, no que tange a o estadiamento e ao acompanhamento dos pacientes”, acredita o pesquisador, ao reforçar que que os exames visam ao diagnóstico precoce do câncer, de maneira a proporcionar melhores condições de tratamento e sobrevida às pessoas.

Também a radioterapia também tem se tornado cada vez mais precisa, eficiente e menos sujeita a riscos, como queimaduras a órgãos vizinhos à área tratada. Isso é possível, hoje, devido às tecnologias de 3D, 4D e de Intensidade Modulada de Feixes (IMRT).  A radioterapia estereotáxica, por exemplo, permite irradiar, precisamente, um tumor no pulmão e no fígado, mesmo com os movimentos respiratórios do paciente. Além disso, a radiocirurgia tem sido empregada para administrar altas doses de irradiação, por exemplo, em tumores cerebrais.