Onde o cérebro do narcisista falha?

Muito antes de Caetano Veloso cantar na música Sampa que “narciso acha feio o que não é espelho” em homenagem à cidade de São Paulo, no fim da década de 1970, o mito do herói bonito e orgulhoso já era discutido, tanto pela variedade de versões quanto pela diferente personalidade do rapaz. Os dois aspectos capazes de gerar distintas interpretações são advindos da história do jovem Narciso, que nunca se interessava por nenhuma moça, mas que se apaixonou pelo seu próprio reflexo nas águas e morreu enamorando-se.

Tanta beleza e vaidade juntas levaram Narciso a confundir-se com sua própria imagem. Mesmo sendo um mito, existem pessoas que sofrem do transtorno do narcisismo, termo criado para caracterizar aqueles que de alguma forma se comportam como ou parecido com o jovem. A imagem de Narciso refletida nas águas e a tragédia ocorrida trazem várias simbologias e uma delas é de que o homem projeta sua própria imagem em tudo o que vê, apaixonando-se por si mesmo e não pelo o outro, de fato.

Recentemente, cientistas do Hospital Universitário de La Charité, na França, e a Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, descobriram que pessoas que sofrem da síndrome narcisista de personalidade possuem uma falha cerebral na mesma região responsável pelo sentimento de compaixão. A pesquisa foi realizada em 34 pacientes, sendo que 17 deles sofriam do transtorno. Por meio de uma tomografia de ressonância magnética, os estudiosos mediram a espessura da camada cerebral, que detectou que os pacientes que tinham a síndrome sofriam anomalias nessa região do cérebro.

O estudo, publicado na revista Journal of Psychiatric Research, explica que o narcisismo é um transtorno de personalidade causado em pacientes que têm fortes complexos de inferioridade e que, no entanto, se comportam de maneira agressiva e arrogante. Uma de suas principais características é a falta de empatia, pois a pessoa com o transtorno não consegue se colocar no lugar do outro em determinadas situações. Quando consegue identificar o que outras pessoas sentem, são incapazes de sentir compaixão por elas.

Segundo o estudo, a empatia está diretamente relacionada ao volume de matéria cinzenta encontrada onde pacientes com narcisismo apresentam o déficit. Com base nesses dados, os cientistas buscam, agora, compreender melhor como é o funcionamento do cérebro em pacientes com o transtorno.

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