A descoberta do esqueleto de Luzia e a vida de seres humanos há 11 mil anos

Informações sobre arqueologia e paleontologia, o trabalho de Peter Lund e Annette Laming-Emperaire em grutas de Minas Gerais e a descoberta do fóssil de Luzia

Por Luana Cruz e Luiza Lages

Há 11 mil anos, Minas Gerais era habitada por seres humanos que deixaram marcas em grutas calcárias. Entre eles, viveu Luzia, considerada hoje a mais antiga mulher das Américas. Você vai conhecer o Povo de Luzia no sexto episódio do podcast infantil Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas. A produção dá sequência a uma temporada com oito áudios que apresentam histórias sobre a vida de grandes nomes das Ciências, conceitos, teorias e acontecimentos científicos.

Leia o conto aqui e escute o podcast:


O esqueleto de Luzia foi encontrado em 1975 em um sítio arqueológico no município de Pedro Leopoldo, pela missão arqueológica chefiada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire. Além de fósseis animais, descobriram em uma das cavernas o crânio mais famoso no Brasil.

A busca por fósseis e os estudos desses materiais nos dão pistas das diferentes espécies de humanos (e de outros animais e plantas) que viveram aqui há muito tempo, e não existem mais. “Ao analisar fósseis, podemos inferir características desses seres. Entretanto, o trabalho é muito difícil, pois é raro conseguir encontrar um fóssil, ainda mais em bom estado de conservação”, explica Cástor Cartelle. O paleontólogo e professor da PUC Minas foi consultor científico para o episódio.

Peter Lund e o Homem de Lagoa Santa

Antes de Anette Laming-Emperaire, muitos pesquisadores estrangeiros buscaram desvendar as riquezas da flora e da fauna brasileiras. Peter Wilhelm Lund foi um dos mais importantes naturalistas dinamarqueses do século 19. Chegou ao Brasil, pela primeira vez, em 1832, e foi responsável por vasto volume de conhecimento sobre a vida no passado no País.

Ao longo de dez anos de estudos, entre 1835 e 1845, Lund investigou as grutas calcárias no entorno de Lagoa Santa, em Minas Gerais. O pesquisador e sua equipe descobriram milhares de fósseis de animais extintos da época do Pleistoceno, incluindo o famoso tigre-dentes-de-sabre. Encontraram também 31 crânios humanos em estado fóssil, do que passou a ser conhecido como o Homem de Lagoa Santa.

Tais descobertas e análises foram fundamentais à construção de uma série de teorias acerca dos processos evolutivos de homens, plantas e animais no Brasil. A gruta Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, já ficou conhecida nessa época, em função do trabalho de Lund.

A descoberta de Luzia

A missão franco-brasileira liderada por Emperaire realizou novas escavações na gruta Lapa Vermelha, no início dos anos 1970, quando descobriu o que imaginou serem dois esqueletos diferentes. Depois, análises feitas pelo arqueólogo francês André Prous revelaram que os restos encontrados pertenciam a um mesmo indivíduo, que havia vivido há 11 mil anos. O crânio havia apenas rolado para longe do resto do esqueleto.

Formalmente, o esqueleto é conhecido como Lapa Vermelha IV. O nome Luzia veio do biólogo, antropólogo e arqueólogo brasileiro Walter Neves, enquanto estudava o fóssil. Luzia tornou-se símbolo de uma nova teoria de povoamento das Américas, defendida por Neves.

A teoria explica que o continente americano teria sido colonizado por duas levas de Homo sapiens vindas da Ásia. A primeira migração teria ocorrido há aproximadamente 14 mil anos, por indivíduos parecidos com Luzia. Um segundo grupo de humanos teria entrado aqui há 12 mil anos.

O Povo de Luzia

O esqueleto de Luzia, abrigado no Museu Nacional, era de uma mulher que estava na faixa dos 20 anos quando morreu. Estudos apontam que tinha 1,50m de altura e possuía traços negroides, com nariz largo e olhos arredondados. A reconstituição de seu rosto foi feita em 1999, por pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

O fóssil gerou ainda a denominação Povo de Luzia, que se refere aos primeiros homens e mulheres que habitaram a região arqueológica de Lago Santa. Entretanto, o grupo ao qual Luzia pertenceu foi apenas um dos vários povos que viveram no lugar. Eram humanos que viviam da caça de animais de pequeno e médio portes e da coleta de frutos e vegetais.

Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas

Este texto é um conteúdo de apoio ao sexto episódio do podcast infantil Histórias de Ninar para Pequenos Cientistas. O objetivo desta postagem é explorar os conceitos científicos, dando suporte a pais, responsáveis e professores. Assim, fica mais fácil ouvir o episódio com a criançada.

Episódios anteriores:

1 – Uma batalha interna, no Mundo de Rafa

2 – A vida de uma estrela

3 – Vida de libélula

4 – Um conto sobre o crescimento da população

5 – A incrível história de Grace Hopper

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