Embalagem antioxidante

O vermelho do tomate, da goiaba, da pitanga e da melancia vem de um antioxidante natural, o licopeno. Várias frutas avermelhadas são ricas nessa substância. Quando é absorvido pelo organismo, o licopeno presente no tomate ou na melancia ajuda a impedir e reparar danos às células causados por radicais livres.

E essa ação do licopeno pode ser pensada para diferentes situações. Laura Fonseca, aluna de doutorado do Departamento de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras (Ufla), pesquisa o desenvolvimento de uma embalagem ativa antioxidante. Na composição do material, ela usa o licopeno presente na casca de tomate.

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Oxidação lipídica

O trabalho desenvolvido por Fonseca é focado em alimentos com alto teor de lipídios, como as castanhas. Esse tipo de alimento é muito rico em lipídeos, que reagem espontaneamente com o oxigênio do ar. Esse processo é chamado de oxidação lipídica.

“A oxidação dos lipídios, presentes nesses alimentos, resulta no desenvolvimento de um aroma indesejado, de ranço. E esse aroma causa a rejeição do produto pelo consumidor”, explica Laura Fonseca.

As castanhas são ricas em ácidos graxos poliinsaturados, como o Ômega 3. São compostos cujo consumo é considerado benéfico para a saúde, principalmente para a prevenção de doenças cardiovasculares. “E quando ocorre a oxidação, esses ácidos graxos são quebrados, o que reduz o valor nutricional do alimento. Além disso, dependendo do grau de oxidação, podem ser formados aldeídos, tóxicos para o nosso organismo”, completa a pesquisadora.

Embalagem ativa antioxidante

A diferença de embalagens ativas para embalagens tradicionais é a presença de um agente que interage com o alimento, com o intuito de melhorar a conservação ou alguma característica. No caso das embalagens antioxidantes estudadas por Laura Fonseca, é utilizado um agente antioxidante que previne a oxidação lipídica.

Para cumprir esse objetivo, a pesquisadora usa o licopeno presente na casca de tomate como agente antioxidante. “O licopeno vai migrando aos poucos para o alimento. Dessa forma, ele retarda a oxidação lipídica, aumentando o tempo de vida útil do alimento”, diz Fonseca. Além da ação antioxidante, a casca do tomate é rica em fibras, que aumentam a resistência da embalagem.

As cascas são descartadas na produção de molho de tomate. Assim, por ser um subproduto da indústria, elas podem ser obtidas a baixo custo. Também como forma de baratear o processo, as embalagens desenvolvidas por Fonseca são de bioplástico. Elas foram produzidas com amido de mandioca, como um substituto para os plásticos convencionais, por processo de extrusão.

“Plásticos convencionais, quando descartados de forma incorreta no meio ambiente, demoram de 100 a 400 anos para se degradar. Já as embalagens de amido, caso sejam descartadas incorretamente, se degradam dentro de alguns meses”, afirma a pesquisadora. A biodegradabilidade reduz impactos ambientais das embalagens de alimentos. Além disso, a mandioca é produzida em alta escala no Brasil, a baixo custo, o que facilita a produção do material.

Veja mais sobre bioplásticos.

O projeto de Laura Fonseca conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A pesquisadora é orientada pela professora Marali Vilela Dias, do Laboratório de Embalagens do Departamento de Ciência dos Alimentos da Ufla.

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