monitoramento da mata seca brasileira passou há ter importância internacional e rendeu até parceria com a NASA, Agência Espacial Americana que celebrou 60 anos no último dia 29.

Há cerca de um mês, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) anunciou que o sistema instalado no Parque Estadual da Mata Seca, no município de Manga (Norte de Minas) foi escolhido como fonte de dados sobre condições climáticas para agências internacionais, como a NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia).

Essas agências trabalham com o monitoramento por satélites para medir a temperatura e umidade do ar e do solo, radiação solar (fotossinteticamente ativa) e a quantidade de chuvas da região.

O sistema da Unimontes é um dos 55 sítios de pesquisa em todo mundo incluídos em uma lista do Comitê sobre Satélites de Observação da Terra (CEOS), que abrange também 55 agências internacionais.

O CEOS tem como missão “garantir a coordenação internacional de programas civis de observação da Terra baseados no espaço e promover o intercâmbio de dados para otimizar os benefícios sociais e informar a tomada de decisões para assegurar um futuro próspero e sustentável para a humanidade”.

Imagem: Divulgação Unimontes

Procedimentos para o monitoramento

A região de mata seca tem sensores e câmeras que acompanham mudanças sazonais da quantidade de folhas na floresta, além dos aspectos sobre temperatura, radiação e chuvas já citados.

Também há cinco torres localizadas em pastagens abandonadas e florestas em estágios inicial, intermediário e tardio de regeneração.

Quatro estações climáticas e cinco módulos de medição de radiação no sub-bosque também compõem o sistema.

Imagem: Divulgação / Unimontes

“Esses sensores podem estar abaixo das copas das árvores – sub-bosque – ou posicionados em torres acima delas. Eles transmitem as informações coletadas aos armazenadores de dados por cabos ou por conexão wireless”, esclarece o professor e pesquisador Mário Marcos do Espírito Santo, coordenador do grupo de pesquisas Tropi-Dry no âmbito da Unimontes (foto).

Os sistemas funcionam de maneira ininterrupta e são alimentados por pilhas e baterias recarregadas por painéis solares.

É necessário que um técnico, geralmente um biólogo, visite o local regularmente para dar manutenção nos equipamentos e baixar os dados armazenados.

Os dados são processados para alimentar a base de dados on-line Environe, mantida pela Universidade de Alberta, no Canadá.

Os equipamentos na unidade de conservação do município de Manga foram instalados por meio da Rede Colaborativa de Pesquisas Tropi-Dry (Mata Seca), da qual a Unimontes participa desde 2005.

A pesquisa também conta com o apoio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), responsável pela administração do Parque Estadual da Mata Seca.

Super-sítios

Mário Marcos do Espírito Santo explica que as 55 áreas de estudos relacionadas são chamadas de “super-sítios” de pesquisa científica.

Eles são usados para a validação em terra dos dados obtidos pelas de imagens de satélite, por meio de um sistema chamado LPV (Land Product Validation).

De acordo com Mário Marcos, o Comitê elaborou um ranking dos 55 super-sítios de pesquisas e o sistema de monitoramento da Mata Seca ficou em quinto lugar.

O ranking possui sítios no mundo inteiro, na Europa, nos Estados Unidos, Canadá e Austrália.

“Um super-sítio possui instrumentos que medem diversos parâmetros ambientais, como umidade e temperatura do ar, incidência e reflexão da luz solar, estrutura da vegetação e produtividade vegetal, que também podem ser estimados através da análise de imagens de satélites. Como os dados obtidos em campo por esses instrumentos são mais precisos, eles são usados para determinar o quanto os dados obtidos por satélites são confiáveis, um processo chamado de validação em terra”.

Benefícios coletivos da pesquisa

Para entrar no ranking do CEOS, os super-sítios precisam apresentar alguns requisitos:

  • Ser parte de uma rede de pesquisas de longa duração com financiamento e infraestrutura apropriados;
  • Realizar medições regulares de múltiplos parâmetros ambientais através de protocolos bem estabelecidos;
  • Possuir os instrumentos adequados para a validação de dados obtidos por satélite.

“A existência desse super-sítio dá projeção nacional e internacional às pesquisas da Unimontes e ajuda a alavancar recursos importantes para a infraestrutura da instituição e para a capacitação de pessoal de alto nível”, comenta o coordenador.

Com todas as informações do monitoramento, além de validar os dados obtidos por satélites, é possível entender como o microclima da floresta muda à medida que esta se regenera.

“Os dados são disponibilizados a outros pesquisadores do projeto, que podem usá-los para entender como variáveis climáticas afetam a flora e a fauna. A análise permite também verificar a tendência das mudanças climáticas no Norte de Minas Gerais, uma região semiárida sujeita à desertificação”, conclui o pesquisador da Unimontes.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Unimontes.