Quem nunca  ouviu esta questão em sala de aula? Com a facilidade de acesso aos smartphones, o hábito de tirar foto das anotações do professor ou dos slides projetados tem se tornado cada vez mais frequente em todos os níveis de formação.

E foi justamente essa questão que inspirou um projeto científico no campus Varginha do CEFET-MG. O trabalho foi apresentado durante a Semana de Ciência e Tecnologia da instituição, levantando reflexões sobre práticas de escrita e usos de tecnologias em sala de aula.

A pesquisa foi orientada pelos professores Edilaine Gonçalves Ferreira de Toledo e Lázaro Eduardo da Silva. O questionamento surgiu de um incômodo de Edilaine, em 2016: ao invés de registrar anotações no caderno durante as aulas, os estudantes pediam para registrar imagens do quadro e divulgar, posteriormente, nos grupos online da turma. A professora lembra que a postura dos alunos gerava desconforto e repreensões, uma vez que celular em sala de aula não é permitido por lei.

“Isso me incomodou inicialmente, pois trabalho com produção de textos nas turmas de ensino médio, e ver as turmas registrarem pouco, ou escreverem com muita resistência, não era muito normal. Mas aí veio a indagação: por que não aliar o celular como recurso tecnológico nas aulas, e buscar entender um pouco desta dinâmica na vida dos jovens alunos?”

O projeto teve como objetivo discutir a importância do exercício cognitivo e uso da escrita a mão (manuscrita) visando implementar, de modo equilibrado e produtivo, o uso de recursos digitais portáteis, como o celular em sala de aula enquanto recurso didático no processo de ensino-aprendizagem.

As conclusões preliminares do trabalho de investigação mostram que, enquanto o celular é visto como uma ferramenta didática na visão dos alunos, para alguns docentes pode ser um complicador para as aulas no que diz respeito à atenção dos estudantes. Mas os professores reconhecem que “não conhecem muitos aplicativos que possam ser usados em suas aulas ou mais técnicas em que o celular possa ser aliado, ao invés de vilão.”

A orientadora do trabalho defende, finalmente, que não se deve pensar em termos de substituição de um modelo grafocêntrico (manuscrito) pelo aparato tecnológico e que “a tecnologia não vem para substituir a formalização do processo escrito: ela tem de estar aliada aos processos formais, de maneira a dinamizá-los, com mais interação e produtividade”, conclui.

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Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

* Com informações da assessoria de imprensa do Cefet-MG