“Gestão de recursos energéticos é fundamental para a economia global e o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, mudanças no sistema climático podem afetar profundamente a demanda por energia e o suprimento de energia” [trecho da tese “Ensaios sobre energia e mudanças climáticas”]

Esse é o princípio que norteia a tese de doutorado do professor Ian Michael Trotter, defendida em 2016, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). O pesquisador, que é norueguês e vive no Brasil, venceu o Prêmio Capes de Teses na área de Economia Aplicada. O trabalho de Ian traz discussões sobre a demanda de energia no Brasil e no mundo, além de debater questões sobre o mercado de créditos de carbono, que surgiu após o Protocolo de Kyoto.

No país onde nasceu, Ian trabalhava numa empresa que fazia, justamente, análise do mercado de créditos de carbono, também conhecido como Redução Certificada de Gases de Efeito Estufa (GEE). Essa redução é medida em toneladas de dióxido de carbono equivalente CO2e. Cada tonelada de CO2e removida da atmosfera corresponde a uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Ian Michael trouxe, em 2005, durante um estágio na UFV suas experiências com os assuntos relacionados aos gases estufa. Quando voltou para morar, em 2011, decidiu propor um projeto de estudo que tratasse de forma mais social e aplicada a questão das emissões. Segundo o pesquisador, a área de Economia foi a mais adequada para discutir o tema.

“Minha graduação e mestrado são na área de informática. No entanto, por causa do meu trabalho nessa empresa da Noruega, aprendi muita coisa sobre mudanças climáticas e energia, o que me motivou a pesquisar o tema aqui no Brasil” explica.

Três fases da pesquisa

A tese do professor Ian é dividia em três grandes partes. Na primeira, ele disserta sobre fontes de energia – com foco especial para o Gás Natural liquefeito (GNL). Ele sugere mudanças na operação desse tipo de energia no Brasil, considerando a estrutura já existente. Traz ideias e sugestões que poderiam ser usadas no país. Segundo Ian Michael, durante a defesa da tese, recebeu a sugestão de apresentar projetos práticos a empresas como a Petrobrás, que poderiam aproveitar soluções propostas por ele.

“No meu trabalho na Noruega, em tinha muito contato com o mercado de GNL do Reino Unido. Trouxe a experiência para o estudo aqui no Brasil, que tem alguns terminais de importação e escoamento, mas enfrenta problemas de gestão”, afirma o cientista.

Na segunda parte da tese, o pesquisador desenvolve uma metodologia para a incerteza meteorológica na geração de demanda de energia elétrica, com possível aplicação no Brasil. É um método que faz previsões sobre o uso de energia e avalia o impacto desses usos sob uma visão inovadora.

Na terceira e última etapa da pesquisa, Ian Michael traz uma visão menos técnica, porém mais analítica e social sobre mudanças climáticas e energia. É nesse trecho que ele discute relações entre países ricos e em desenvolvimento no mercado de créditos de carbono, considerando toda a polêmica envolvida na mitigação de gases estufa.

“Esse tema foi muito discutido na ONU e fez parte do protocolo de Kyoto. A ideia era que países ricos subsidiassem projetos em países em desenvolvimento. É um assunto muito polêmico. Eu quis debater quais foram os efeitos reais dessa política. Queria ver se, ao longo do tempo, os créditos de carbono influenciaram os projetos ambientais. Além disso, quis trazer uma ideia sobre qual é o custo real de se reduzir as taxas do efeito estufa”, conclui Ian Michael.

A tese do professor Ian – Essays on energy and climate change – está disponível no site da UFV para download.

O pesquisador

Ian Michael, atualmente, leciona no Departamento de Economia Rural da UFV, onde fez o doutorado. É graduado e mestre em informática pela Universidade de Oslo. Quando veio ao Brasil pela primeira vez, conheceu uma brasileira que depois se tornou sua esposa – um dos motivos pelos quais ele se mudou definitivamente. Sobre produzir conhecimento por meio da ciência, o professor acredita que:

“A ciência é a procura pela verdade. A ciência levanta uma questão e ajuda descobrir a resposta. Por enquanto, é a melhor maneira de descobrir as repostas para uma pergunta”.

Prêmio Capes de Tese

O Minas Faz Ciência produziu uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Estamos apresentando os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

1ª matéria da série: Pesquisador de Minas estuda pastores evangélicos como empreendedores

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).