Minha vó Rita teve Alzheimer. Morreu aos 77 anos em decorrências de complicações de um AVC, mas já convivia com a perda de memória há quase 7 anos. Vimos a vó confundir nomes de filhos e netos, trocar o dia pela noite e perder a capacidade de nos reconhecer. A “caduquice”, inicialmente alvo de brincadeiras, virou um drama familiar vivido e sentido por todos. Nós não esquecemos a vó, jamais!

A população brasileira está envelhecendo muito rápido. O topo da pirâmide populacional do país, aquela que contabiliza a quantidade de idosos, aumentou. Segundo especialistas, é por isso que existe a sensação de crescimento do Alzheimer.

O principal fator de risco dessa doença é a idade, sendo que há prevalência de 30% em pessoas acima de 80 anos. Há  cerca de 43 milhões de pessoas com Alzheimer no mundo, números de uma epidemia.

O que angustia a todos é a possibilidade de ter a doença na velhice. Assim como meu pai e minhas tias, muitos se perguntam: meu pai/mãe teve Alzheimer, eu vou ter?

A resposta vem das pesquisas genéticas, que apontam alguma predisposição. No entanto, esse não é o único fator de risco, nem mesmo motivo para pânico familiar. Pouco se pode fazer com a informação prévia sobre tendência genética ao Alzheimer, por isso os médicos recomendam não pirar com as possibilidades. Há outros fatores de risco como depressão, doenças psiquiátricas, diabetes, hipertensão e falta de estímulo cerebral.

O Alzheimer se manifesta, em casos mais avançados, com demências. A pessoa perde memória espacial e episódica, muda de comportamento e altera linguagem.  Em situações mais graves há perda de funções cognitivas. O que a ciência faz atualmente é tentar evitar demências graves, freando sintomas do Alzheimer ainda no início.

Pesquisadores estão envolvidos em trabalhos de estimulação cerebral para que os idosos não alcancem a etapa de perda da cognição. Um desafio para a ciência e para aos familiares de pacientes, que anseiam respostas de melhora rápida.

Depressão

O que vem primeiro, depressão ou perda de funções cognitivas? Cientistas que estudam a relação entre depressão e Alzheimer estão profundamente envolvidos com esta pergunta. Eles tentam entender até que ponto existe “conversão” de depressivos às demências do Alzheimer. Já está comprovado um elo entre esses dois males, por isso a depressão precisa ser encarada como quadro patológico, diferentes do que o senso comum, muitas vezes, aponta.

Por que Alzheimer?

Na noite dessa quarta-feira, dois especialistas conversaram com o público do festival Pint of Science sobre Envelhecimento e Alzheimer: memórias em apuros. Os professores Rodrigo Nicolato e Maria Aparecida Bicalho, que pesquisam o assunto, falaram sobre investigações, metodologias, descobertas e esforços para entender a doença.

Eu fiz parte da plateia atenta que ouviu recados de: “aproveitem mais a vida”, “exercitem o cérebro”, “não se angustiem com a possibilidade de ter Alzheimer”. É bom saber que os cientistas procuram maneiras de frear os avanços da doença. Enquanto isso, nos esforçamos para nos cuidar e de cuidar dos nossos idosos.