Megaeventos como as Olimpíadas impactam a vida de milhares de pessoas. Envolvem muita festa, comemorações, quebra de expectativas e superação de limites, mas também remoções de famílias, grandes construções e movimentos de resistência. Ou seja, diversos atravessamentos sociais e políticos que podem passar despercebidos pelo público.

“Olhar para esses megaeventos é importante porque eles impactam na cidade, na experiência e na vida cotidiana das pessoas. Assim, olhamos para as Olimpíadas, por exemplo, para observar os impactos materiais e imateriais (simbólicos) desses eventos na sociedade”, explica a professora Regina Helena Alves da Silva, coordenadora do grupo de pesquisa interdisciplinar da UFMG, CCNM (Centro de Convergência de Novas Mídias).

Olhar para a miríade de assuntos e questões que emergem nesses eventos: esse é objetivo das pesquisas realizadas pelos pesquisadores do CCNM e dos seus dois
Núcleos de pesquisadores – o NucCon – Núcleo de Pesquisa de Conexões Intermidiáticas – e o NucleUrb – Núcleo de Estudos Urbanos.”Queremos estudar essa quantidade de camadas e linhas que vão perpassando os megaeventos”, afirma Joana Ziller, professora e pesquisadora do NucCon.

“Essa pesquisa se insere em um esforço, de pesquisadores da Comunicação e de áreas afins, de entender a centralidade de eventos esportivos para a sociedade contemporânea e as controvérsias sociopolíticas associadas a eles”, explica Carlos d’Andréa, professor e pesquisador do NucCon.

Temas da pesquisa

WhatsApp-Image-2016-08-08-at-20.06.12-840x474A professora Joana Ziller está interessada em observar os movimentos de resistência, principalmente em relação ao então presidente interino, Michel Temer. “Estou olhando principalmente para a Cerimônia de Abertura e para a maneira com que Temer tenta invisibilizar tanto a si, quanto aos protestos contra ele, e para as reações do público a esse movimento”, explica.

Já o professor Carlos d’Andréa foca nas repercussões e os atravessamentos que se dão na plataforma Twitter. Fomos coletando vários eventos que nos chamaram a atenção ao longo do período, como o caso Neymar x Marta, da judoca Rafaela e vários outros acontecimentos controversos que fomos identificando”, explica Carlos d’Andréa, professor e pesquisador do NucCon. “A intenção é observar questões que emergem dessas discussões, como questões de gênero ou identitárias, no caso Neymar x Marta, por exemplo”.

Exemplos de memes que circularam pelas redes sociais durante as Olimpíadas

De acordo com ele, só com a hashtag #Rio2016 eles conseguiram coletaram 10 milhões de tweets.  A grande dificuldade de estudar esses eventos  é desenvolver metodologias capazes de dar conta dessas dinâmicas midiáticas atuais. “Nosso esforço é no sentido de apreender essas dinâmicas, de coletar e apropriar de dados de repercussão desses eventos. Vamos aprendendo e desenvolvendo ao longo do processo, é impossível prever o que vai acontecer”, explica Carlos d’Andréa.

2016-03-14_17-50-20_rioLivro sobre as Olimpíadas 2016

Nesse ano, os pesquisadores do NucCon se organizaram para fazer uma grande coleta coletiva de dados. Cerca de trinta pesquisadores, da UFMG e da UFOP, advindos de várias áreas de pesquisa, se reuniram às vésperas do início dos jogos Olímpicos para determinar qual seria o ponto de interesse de cada um e formar grupos de trabalho. O foco inicial era olhar para a Cerimônia de Abertura, mas a pesquisa acabou se expandindo para o evento como um todo.

A intenção dos pesquisadores é reunir todo o material em um livro sobre as Olimpíadas 2016. “Estamos nos planejando para publicar no ano que vem”, explica Carlos d’Andréa, professor e pesquisador do NucCon que, junto com Joana Ziller, está a frente do projeto nesse ano.

Histórico do Grupo

O CCNM vem realizando pesquisas sobre os megaeventos há vários anos e que já renderam diversas publicações. Dentre elas, o livro com pesquisas realizadas durante as Manifestações de Junho de 2012, Ruas e redes: dinâmicas dos protestosBR”, publicado pela Editora Autêntica em 2014.

Entre 2013 e 2015, por exemplo, os pesquisadores desenvolveram uma parceria com a Universidade russa – National Research University Higher School of Economics (HSE/Moscou) – para estudar tanto as Olimpíadas de Inverno de Sochi, quanto a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Para ver as demais publicações do grupo relacionadas ao estudo de megaeventos clique aqui.

Vídeo explicativo

Assista ao vídeo no qual o professor Carlos d’Andréa fala sobre a pesquisa publicado na nossa página do Facebook.