No último dia 2, a Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu a sétima edição do Fórum de Cultura Científica. O evento contou com a participação dos professores Sandra Goulart Almeida, reitora da Universidade, Cláudia Mayorga, pró-reitora de Extensão, Evaldo Vilela, presidente da Fapemig, Marcelo Knobel, reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e  Yurij Castelfranchi, diretor de Divulgação Científica da UFMG.

O tema desta edição do Fórum foi “A Construção de Políticas Institucionais de Divulgação Científica”. Durante a mesa de abertura, Sandra Goulart contou um pouco da história do surgimento do Fórum e ressaltou a importância do evento para a comunidade acadêmica. O mesmo foi feito por Claudia Mayorga que disse “A importância do Fórum está na construção de uma agenda continuada para a divulgação científica em diálogo com a Extensão, Ensino e Pesquisa”.

No debate mediado por Yurij Castelfranchi, Evaldo Vilela e Marcelo Knobel abordaram cinco aspectos principais em relação às políticas de Divulgação Científica (DC): situação atual, obstáculos, mudanças, continuidade e indicadores. Primeiramente, Vilela ressaltou que a prática científica no Brasil é relativamente recente e isso implica em dificuldades para a divulgação científica. O presidente da Fapemig ressaltou também que estamos em uma era de mudanças, em que os meios de comunicação digitais estão cada vez mais fortes. Com o aumento de notícias falsas circulando na rede, a comunicação científica se torna indispensável, segundo o professor.

Evaldo Vilela também ressaltou a necessidade do pesquisador informar à sociedade sobre o que está sendo feito dentro das universidades e que, atualmente, há uma grande dificuldade em estabelecer esse diálogo. Essa visão foi compartilhada por Marcelo Knobel que ressaltou, também, a necessidade de uma mudança na cultura da comunidade científica em relação à divulgação. O reitor da Unicamp ponderou sobre a importância da formação de profissionais especializados em divulgação científica. “A DC é uma atividade profissional que precisa ser bem feita. Se o cientista não sabe fazer, pode contar com alguém que sabe. Cada vez mais precisamos de mais pessoas formadas nessa área”, afirmou.

Outro aspecto acionado por Evaldo Vilela e Marcelo Knobel foi a questão dos recursos financeiros. Os professores ressaltaram da importância de investimentos na ciência como um todo. “[Fazer Divulgação Científica] é um caminhar, e precisamos dar passos mais largos. Ou nós abraçamos o desenvolvimento científico ou não temos futuro. É preciso ter a compreensão de que a ciência é preponderante para o desenvolvimento nacional. E para isso é preciso dinheiro”, alertou Evaldo Vilela.

Antes de abrir para as perguntas do público presente, Yurij Castelfranchi, a partir do debate entre os professores, afirmou que aparentemente há um tripé de necessidade política em relação a divulgação científica: o incentivo aos pesquisadores, a formação de profissionais e atuação de políticos. Por fim,ao responderem as perguntas do público, os debatedores pontuaram sobre as dificuldades que os pesquisadores tem para explicar suas próprias pesquisas, ressaltando a importância de uma transformação na formação dos cientistas.

O VII Fórum de Cultura Científica foi transmitido na íntegra pelo canal da Coordenadoria de Assuntos Comunitários da UFMG e pode ser visto aqui.