Mulher faz ciência: Glaura Goulart, o nome da nanotecnologia

Indicada pelo público, vice-coordenadora do CTNano UFMG é a representante mineira do segundo volume do e-book


Publicado em 05/02/2020 às 08:00 | Por Alessandra Ribeiro

Glaura Goulart. Foto: Alessandra Ribeiro

Hoje você vai conhecer a décima personagem do segundo volume do e-book Mulher faz Ciência. O nome da representante de Minas Gerais foi indicado pelo público: Glaura Goulart Silva.

Ela é professora do departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também vice-coordenadora do Centro de Tecnologia em Nanomateriais de Carbono (CTNano), inaugurado em 2019, dentro do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

Nascida em João Monlevade, na Região Central de Minas Gerais, cresceu num bairro chamado Areia Preta – em referência ao pó do minério de ferro. Seu pai era funcionário da antiga Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, depois incorporada pelas multinacionais Bekaert e ArcelorMittal. A mãe, professora do ensino básico: “uma pessoa muito curiosa e dedicada a estudar os temas com que trabalhava; isso realmente foi uma motivação”, conta.

Glaura fez graduação e mestrado em Química na própria UFMG, na década de 1980. Depois, cursou doutorado na França, na área de engenharia eletroquímica. De volta ao Brasil, prestou concurso na UFMG e, em 1993, passou integrar o corpo docente da Universidade.

De jovem promessa a competidora

No CTNano, a pesquisadora é responsável, dentre outras atribuições, pelo contato direto com  instituições privadas que buscam as soluções tecnológicas personalizadas oferecidas pelo Centro. Não raramente, no dia a dia, ela percebe certo estranhamento entre alguns parceiros de negócios. “O fato de ser uma mulher que recebe alguns empresários, para discussões técnicas e projetos em nanotecnologia, causa surpresa em alguns ambientes. Então, você tem que se posicionar muito bem para ser respeitada. E este esforço a mais é desgastante”, diz.

No e-book Mulher Faz Ciência, Glaura conta, com detalhes, como a postura de colegas da mesma área mudou, quando ela deixou de ser uma pesquisadora iniciante e começou a ganhar projeção. “Você deixa de ser uma jovem interessante, com boas ideias, para se tornar uma ‘competidora’”, compara.

“A competição entre os homens é dura e acirrada. Mas entre homens e mulheres, ela tem vieses subjetivos. É fácil para um homem que está numa liderança, e sente uma mulher ‘competidora’, tentar minimizar a contribuição dela. Tirar a palavra, o reconhecimento”, afirma.

Para saber mais sobre essa história e as de outras nove cientistas brasileiras, não deixe de conferir, na semana que vem, o lançamento do segundo volume do e-book Mulher faz ciência. A publicação estará disponível para download gratuito, no site Minas Faz Ciência, em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11/02).

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