As micotoxinas entraram para a pauta de pesquisas na década de 1960, quando o Reino Unido passou por um surto de morte de aves. A investigação concluiu que a ração dada aos animais estava contaminada por uma aflatoxina, um tipo de micotoxina. A substância, tóxica para seres humanos e animais, é produzida por algumas espécies de fungos. Atualmente são conhecidas mais de 400 micotoxinas. Substâncias como a ocratoxina A, patulina, as aflatoxinas e fumonisinas são consideradas pela Organização Mundial de Saúde como compostos altamente carcinogênicos.

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Como micotoxinas afetam a saúde humana

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta os limites máximos tolerados para micotoxinas em alimentos. Hoje, não existe uma técnica que permite a eliminação dessas toxinas. Elas são resistentes ao tratamento térmico que normalmente os alimentos sofrem, como a torração e a pasteurização. Para a indústria de alimentos, uma vez contaminado acima dos limites permitidos, o produto tem que ser descartado.

“Existem limites máximos porque a gente entende que é uma contaminação natural. A adoção de boas práticas agrícolas e a rejeição desse tipo de produto são formas de evitar a presença dessas micotoxinas, que podem gerar prejuízo para a saúde do animal e do consumidor”, afirma o professor Luís Roberto Batista, do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) da UFLA.

A contaminação em humanos pode ocorrer de forma direta, quando o homem come o grão contaminado, ou indiretamente, por meio do consumo de carne ou leite de animais contaminados. Hoje, estudos mostram que a causa primária de câncer no fígado é a presença de aflatoxina B1. Enquanto o nosso organismo detecta e reage à presença de toxinas bacterianas, as micotoxinas passam despercebidas. “As toxinas produzidas por fungos são moléculas muito pequenas e o nosso organismo não consegue detectar a presença. E os maiores defeitos que a gente encontra são no fígado e nos rins”, diz o professor.

Contaminação no ambiente

Luís Batista explica que esse tipo de contaminação acontece de forma natural em ambientes nativos e cultivados. Entre outros espaços, é possível encontrar micotoxinas em plantações de amendoim, de milho, de café e em processo extrativista de castanhas. “Esses fungos são muito comuns em temperaturas mais quentes. Então o Brasil tem ambientes que favorecem o desenvolvimento dessas espécies”, explica.

O professor coordena o grupo de pesquisa Micotoxinas e Micologia de Alimentos da UFLA. O grupo trabalha em contato com produtores e estuda a presença das substâncias na cadeia produtiva de alimentos. “O trabalho na universidade é principalmente identificar quais são os fungos, em que etapa eles estão presentes na produção e o que o produtor pode fazer para evitar que desenvolvam essas toxinas”, conta.