Emoção e revolta marcaram a abertura do 3º Encontro Nacional  dos Centros e Museus de Ciência  (ABCMC). O evento terminou neste sábado (15), no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro.

O objetivo primeiro foi discutir os desafios colocados às instituições frente ao volume de conhecimento produzido no contexto das sociedades em rede. Também pretendia celebrar os 200 anos do Museu Nacional.

Mas o tema central e as falas incisivas estiveram, como não poderia deixar de ser, focadas no incêndio que destruiu 90% do acervo da instituição. Outro tema dominante foi situação precária  dos muitos espaços de ciência espalhados pelo país.

A falta de verbas e a ingerência do Governo Federal dominaram os debates. A criação do Agência Brasileira de Museus (Abram), que substituirá o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), foi amplamente criticada pelos especialistas.

Para o Ildeu Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,

“não se faz uma medida provisória no apagar das luzes por um governo que tem 3% de aprovação.”

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, reconfortado pelos pares, desabafou sobre os últimos acontecimentos e foi aplaudido de pé ao dizer que o “Museu Nacional vive”.  Na ocasião, ele reforçou a campanha de mobilização criada para incentivar o compartilhamento de imagens do acervo feitas por visitantes do Museu (#museunacionalvive).

A Chefe do Departamento de Economia da Cultura do BNDES, Luciane Gorgulho, destacou a necessidade de considerar as especificidades da segurança do patrimônio histórico. Ela criticou a defasagem dos equipamentos, consequência da falta de investimento. Gorgulho reforçou o suporte da instituição aos esforços de recuperação do Museu.

“O que a UFRJ quiser fazer, nós iremos apoiar”.

Este apoio precisa ser um trabalho permanente, na opinião do diretor do Museu Histórico Nacional, Paulo Knauss.

“Quase todos os museus do país vivem o problema da falta de verbas, de apoio político e da sociedade”, ressaltou, ao lembra que este esforço precisa ser diário e perene.

Evento debate relações com a sociedade

Segundo o diretor de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã, Alfredo Tolmasquim, o encontro é uma oportunidade para que as instituições mostrem resultados de pesquisa e debatam temas como o papel dos museus em processos como inclusão social e promoção à diversidade.

O presidente da ABCMC, José Ribamar Ferreira, explicou a proposta dos encontros bianuais da Associação.