Por William Araújo

Pesquisadores do Departamento de Bioquímica e Imunologia, com colaboração do Departamento de Morfologia – ambos do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG) -, em estudo sobre o Schistossoma mansoni, causador da enfermidade esquistossomose, descobriram como usar uma proteína do parasita em favor dos seres humanos. Foi identificado potencial no tratamento terapêutico de artrite, lesão estéril hepática provocada por paracetamol e outras doenças inflamatórias.

Biomphalaria glabrata - Luis Ruiz Berti [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) undefined CC BY-SA 2.5 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], da Wikimedia Commons

Biomphalaria glabrata – Luis Ruiz Berti [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) undefined CC BY-SA 2.5 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], da Wikimedia Commons

A pesquisa é fruto do trabalho da Rede Mineira de Imunobiológicos, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), e foi publicada em fevereiro na revista internacional Plos Pathogens.

O coordenador do estudo, professor Sérgio Costa Oliveira, explica que as doenças inflamatórias são geradas pelo excesso de resposta das células de defesa do organismo, como os neutrófilos. Esses agentes de combate estão envolvidos com a enzima elastase neutrofílica, que é crucial para a fagocitose e para a mobilização contra microrganismos invasores.

O parasita da esquistossomose, que se hospeda no caramujo Biomphalaria glabrata, infecta o homem e pode ficar por anos no organismo sem causar muitos danos. Como estratégia de sobrevivência, o patógeno tem moléculas que se acoplam a essas enzimas, bloqueando algumas atividades das células de defesa.

Na pesquisa, foram estudadas essas proteínas com a intenção de usá-las para diminuir as respostas exageradas das células de defesa do corpo, que provocariam doenças inflamatórias a partir do excesso.

Segundo Sérgio Oliveira, a descoberta pode gerar biofármacos que impactarão, aproximadamente, 200 mil brasileiros com artrite e outros 6 milhões com asma alérgica. Além disso, os pesquisadores também fazem estudos com a molécula em outras doenças, como a leishmaniose, e para a prevenção, com vacinas baseadas na proteína.

Para ler o artigo completo publicado na revista Plos Pathogens, clique aqui.