Em uma cobertura ao vivo de uma partida de futebol, a jornalista Bruna Dealtry foi beijada, à força, por um torcedor. Três dias antes, um outro torcedor agrediu a repórter Renata Medeiros, que cobria uma partida, em Porto Alegre. Desde então, um grupo de 52 jornalistas esportivas de diversos veículos resolveu se mobilizar contra o assédio sofrido por elas, por meio da hashtag #DeixaElaTrabalhar.

Mas essa não foi a primeira vez que as hashtags foram utilizadas para dar voz àqueles que querem ser ouvidos. Nas últimas semanas, o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco foi registrado nas redes por meio da hashtag #mariellepresente. Já no mês passado, durante o período de premiações do cinema em Hollywood, hashtags como “#metoo” e “#timesup” ganharam força na web.

#TWITCIÊNCIA

Não é só na política, no entretenimento e nos esportes que as hashtags são usadas como forma de marcar mensagens individuais como pertencente a um grupo específico. Na divulgação científica no Brasil e no mundo, algumas hashtags são encontradas, seguidas e utilizadas como forma de fortalecer o trabalho dos(as) pesquisadores(as).

Uma delas é a #twitciencia a qual é utilizada no Twitter para divulgar matérias sobre ciência ou abordar assuntos de cunho científico. A partir do uso desta e de outras hashtags criam-se hiperlinks dentro da rede que são indexáveis pelos mecanismos de busca de cada rede social. Isso faz com que os outros usuários possam clicar nas hashtags (ou buscá-las por meio das ferramentas de busca) para ter acesso a todos que participaram da discussão.

VISIBILIDADE E VALORIZAÇÃO

Criadas em 2007, as hashtags são também usadas para marcar as mensagens como relevantes para assuntos que estão sendo discutidos nas redes sociais em um determinado momento. Esse foi o caso da #MinhaCiênciaEmUmTweet que viralizou no Twitter no fim do ano passado.

Na ocasião, o pesquisador norte-americano Dalton Ludwick desafiou os cientistas do mundo a contarem, por meio dos poucos caracteres do Twitter, o que eles pesquisavam. Em pouco tempo, milhares de cientistas começaram a usar a tag #MyOneScienceTweet para expor suas pesquisas ao mundo on-line. Em seguida, o Instituto Serrapilheira traduziu a hashtag e propôs o mesmo desafio aos cientistas brasileiros. Rapidamente, a iniciativa também fez sucesso na rede brasileira, chegando aos assuntos mais comentados do Twitter.

Devido ao sucesso da campanha, outros tantos cientistas aproveitaram para abordar, também, a questão do corte de verba destinados à ciência no país. Além da divulgação de pesquisa, a hashtag acabou sendo vista como uma maneira de mostrar a importância dos estudos científicos para a sociedade.

OBJETO DE PESQUISA

Se por um lado elas servem para divulgar a ciência, por outro, as hashtags também são objetos de pesquisas. Na última edição da Minas Faz Ciência, a pesquisadora Luciana Andrade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) contou como que as hashtags foram utilizadas durante as Jornadas de Junho, em 2013, e são importantes para a política nacional.

ESTAMOS FAZENDO UMA PESQUISA. PARA PARTICIPAR, BASTA CLICAR NA IMAGEM ABAIXO.