A falta de recursos destinados à ciência no Brasil é uma realidade assustadora. Além de comprometer o andamento de diversas pesquisas, tal indisponibilidade orçamentária compromete, também, a previsão de tempo realizada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec). Isso porque o supercomputador Tupã (principal ferramenta de previsão do tempo do país) está no fim da vida útil e, no momento, não há recursos para a compra de um novo supercomputador.

Ainda que a máquina receba manutenção constante, não é possível driblar o fim do funcionamento do aparelho e garantir que ele permaneça em funcionamento por um longo período de tempo. O Tupã foi adquirido em 2010 e, na época, era um dos 30 computadores mais velozes do mundo. Hoje, ele não está nem entre os 50 primeiros desta lista. A potência de um computador como o Tupã passa a ficar comprometida após quatro anos de uso, o que torna necessário a sua substituição. Mas, no Brasil, adquirir um novo supercomputador é algo que beira o impossível.

Desde 2014, ano em que o Tupã deveria ter sido substituído, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) solicita recursos para comprar um novo aparelho. Mas, até o momento, não obteve sucesso. A alternativa oferecida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações foi disponibilizar R$ 10 milhões para que o Inpe atualizasse a máquina, com a substituição de peças e assistência técnica constante.

Entretanto, ainda com essa alternativa, os R$ 10 milhões cedidos pelo Ministério ainda não chegaram até o Inpe, e se isso não acontecer, até o próximo dia 8, a assistência técnica ficará impossibilitada, e o computador pode deixar de funcionar de vez, o que pode comprometer a previsão do tempo no país. Por outro lado, mesmo que o dinheiro chegue dentro do prazo ao Inpe, não existem garantias que a troca de peças e assistência serão suficientes para manter o supercomputador funcionando.