Muitos foram os pesquisadores estrangeiros que, em terras brasileiras, buscaram desvendar as riquezas da flora e da fauna. Até os dias de hoje, grande parte das informações coletadas por tais curiosos e perspicazes cientistas permanece resguardada, em diversos pontos do planeta, por prestigiados museus e instituições acadêmicas.

Responsável por vasto volume de conhecimento produzido – e exportado – sobre as especificidades do Brasil, Peter Wilhelm Lund (1801-1880), um dos mais importantes naturalistas dinamarqueses do século XIX, poria os pés no País, pela primeira vez, em 1832. À época, contava com 31 anos e inominável interesse pelo desnudamento das maravilhas do Novo Mundo.

Peter Wilhelm Lund (1801-1880). Imagem de I.W. Tegner (1815-1893) and Adolph Kittendorff (1820-1902) – Royal Library, Copenhagen (Reprodução Wikimedia Commons)

Descobertas nas grutas de Lagoa Santa

Ao longo de dez anos de estudos, Lund investigaria, principalmente, as grutas calcárias no entorno de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Tais descobertas e análises seriam fundamentais à construção de uma série de teorias acerca dos processos evolutivos de homens, plantas e animais sobre a Terra – ou, mais, especificamente, o Brasil.

No livro P.W Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa, de autoria dos historiadores Birgite Holten e Michael Sterll, não apenas os estudos do naturalista dinamarquês revelam-se detalhadamente reconstituídos e comentados, como também a fascinante personalidade do cientista, homem de muitos ofícios e interesses.

Importante ressaltar, aliás, que Holten e Sterll também trabalharam, ao longo de anos, em escavações arqueológicas na região de Lagoa Santa e, juntos, escreveram outras tantas obras acerca da trajetória do naturalista dinamarquês, a exemplo de O pintor desaparecido – P.W Lund e P.A Brandt no Brasil e A canção das palmeiras: Eugenius Warming, um jovem botânico no Brasil.

Com impecável produção da Editora UFMG, e financiamento da FAPEMIG, o livro P.W Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa revela-se também esplêndido para os olhos, que, do início ao fim, poderão se deliciar com aquarelas de época ou fotografias de expedições arqueológicas recentemente realizadas no País.

Leia um trecho:

“Foi a essa terra que Lund chegou em 1825. Ao longo dos seus muitos anos no país, ele desenvolveu um vivo, mas, certamente, não acrítico interesse por sua população e peculiaridades políticas. Quando desembarcou, foi, entretanto, a natureza rica e diversificada que o encantou. Durante essa primeira estadia no Brasil, Lund ficou na região do Rio, onde morou em diversos lugares, interrompido por períodos na própria capital e curtas excursões a outros destinos. Inicialmente ficou em Niterói, do outro lado da baía da Guanabara, onde se hospedou com a mesma família com que o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire tinha morado, durante sua estadia alguns anos antes. Em Niterói havia rica oportunidade de estudar a vida animal da baía, e, pouco tempo depois, Lund pôde enviar 40 espécies diferentes de peixes para o Museu de História Natural em Copenhague, entre elas, nada menos que cinco novas famílias.”

Ficha técnica:

Livro: P. W. Lund e as grutas com ossos em Lagoa Santa
Autores: Birgitte Holten e Michael Sterill
Tradução: Luiz Paulo Ribeiro Vaz
Editora: UFMG
Título original: P.W. Lund og Knnokelhulerne i Lagoa Santa
Páginas: 336
Ano: 2011