Comunicação entre veículos pode diminuir acidentes de trânsito

Reportagem de Téo Scalioni originalmente publicada na Minas Faz Ciência 75.

Não são poucos os testes e pesquisas, realizados ao redor do Planeta, que pretendem minimizar acidentes de trânsito.

No Brasil, os números de acidentes são alarmantes! Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o País é o quarto em número de acidentados no mundo, atrás de Venezuela, Belize e República Dominicana.

Em média, cerca de 50 mil pessoas perdem a vida nas rodovias brasileiras, enquanto outras 400 mil ficam com algum tipo de sequela.

Uma solução pela via da ciência

Projeto realizado em terras mineiras busca alterar essa triste realidade.

Parceria entre os laboratórios de pesquisa do Grupo de Redes Ubíquas e Comunicação (Grubi-Com), da Universidade Federal de Lavras (Ufla), e do Wireless Network (Winet), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a pesquisa Redes Veiculares Híbridas (Vehicular Ad Hoc Networks, ou Vanets) busca o desenvolvimento de dispositivo caracterizado por redes de comunicações de dados entre veículos.

A iniciativa, que conta com apoio da FAPEMIG, começou em 2012. 

À forma de uma caixa preta, o mecanismo é capaz de coletar informações de automóveis terrestres, como velocidade, aceleração, localização, estado do airbag, fazer gravações de áudio e vídeo (internas/externas), estabelecer comunicação entre carros, detectar sinistro e emitir alerta de acidentes próximos.

Assim, possibilita a troca de mensagens sobre as condições de tráfego, a segurança do trânsito ou com propósitos gerais, do acesso à internet às aplicações de entretenimento.

Alerta de acidentes de trânsito

Uma das principais funções da ferramenta é emitir o alerta de acidentes de trânsito para veículos terrestres que transitam próximos ao local do ocorrido, a fim de evitar engavetamentos.

Para que a solução seja viável, os carros devem ter sistema de comunicação entre automóveis, e, também, entre dispositivos de alertas inseridos nas próprias ruas e rodovias.

Eis o motivo pelo qual as informações sobre segurança do trânsito são consideradas as mais críticas, pois precisam ser entregues no menor tempo possível, para ampliar o tempo de reação do motorista

“Para solucionar o problema, devem ser considerados os tempos de reação do motorista, frenagem dos veículos e recepção e processamento da mensagem de alerta de acidentes”, observa Luiz Henrique Andrade Correia, coordenador do projeto.

Para ele, a iniciativa cria a possibilidade de que se averigue um acidente logo após a ocorrência.

“Essas informações podem ser interessantes para seguradoras de veículos, além de auxiliar em decisões de ações judiciais e, até mesmo, permitir o rastreamento veicular”, observa o coordenador.

Caixa preta: de aviões para carros

De acordo com Luiz Henrique, o problema tem sido pesquisado há vários anos, em diversos países, mas nenhuma solução definitiva foi encontrada, em relação ao envio do alerta de acidentes.

Nas aeronaves modernas, existem dispositivos semelhantes. A diferença fundamental é que os aviões se comunicam diretamente com o controle de tráfego aéreo, ou fornecem informações apenas à tripulação.

“Os conteúdos das caixas pretas são armazenados e usados após a ocorrência de acidentes. E não são transmitidas em tempo real para entidades fora da aeronave”, compara.

A principal fonte de informações para idealização do dispositivo está documentos de referência da arquitetura Wireless Access in Vehicular Environments (Wave), desenvolvidos, pelo Institute of Electrical and electronics Engineers (IEEE), para o padrão 1609.

Tais materiais definem a segurança, o controle, o gerenciamento, as operações e os serviços para comunicação em redes veiculares. Os protocolos definem a maneira e o formato como é realizada a comunicação entre duas entidades, de modo semelhante aos protocolos da vida cotidiana.

O coordenador explica que a comunicação veicular é feita por meio de tecnologia de redes sem fio, semelhante àquela usada em ambientes domésticos. A diferença é que a comunicação segue padrão e frequências diferentes.

Além disso, é realizada diretamente de veículo para veículo (V2V), e, também, de veículos em direção a infraestruturas de monitoramento em ruas ou rodovias (V2I). Tal tipo de comunicação direta entre veículos dá origem às redes veiculares conhecidas como Vanet.

Clique aqui e leia a reportagem completa.

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