O Brasil encontra-se na zona intermediária mundial em relação à pesquisa e desenvolvimento científico. O país tupiniquim está ali, emparelhado com a Rússia, Índia e Holanda, à frente de países da América do Sul, como Argentina, Chile e Uruguai, no entanto bem atrás de nações desenvolvidas da Europa, Japão ou Estados Unidos, esse soberano absoluto no assunto – o número de publicações americana é maior do que de todo o continente Europeu somado e cerca do dobro do segundo colocado, a China.

 É interessante observar que mesmo quando se aumenta a média de artigos científicos produzidos no Brasil, ele acompanha o crescimento da média mundial, ficando praticamente sempre na mesma posição – hoje o País está em 13° lugar no mundo em artigos publicados. Diferente de países como a Coréia do Sul ou a própria China que subiram incrivelmente suas colocações nesse ranking do conhecimento

Sobre economia, somos a 9° do planeta e, sem dúvida nenhuma, o país mais forte economicamente da América Latina.  Mas, falando em inovação, percebe-se que o Brasil é ainda adolescente quando trata-se de levar esse conhecimento adquirido nas universidades para indústria. Há um enorme abismo em relação ao conhecimento acadêmico e  o mercado.

Com os avanços da tecnologia e a própria globalização, o mundo encontra-se em uma completa transformação e quem não buscar inovar, vai acabar se afogando nesse oceano turbulento dos dias atuais. Tanto que 77% das empresas da década de 70 não existem mais. O panorama mudou e quando antigamente as empresas reagiam às mudanças, hoje, necessitam antecipá-las. Não se trata de diferencial, e sim, sobrevivência! A inovação aparece como um processo de criação de dinheiro novo.

Hoje vivenciamos uma nova fase da Revolução Industrial, iniciada em 1992 com o “www”. A inovação, além do processo dessa criação e dinheiro novo, chega também para trazer o bem-estar da população. Não há como falar dessa inovação, virando as costas para a sociedade. Ela é inerente, principalmente, na área da saúde. Tanto que muitos dos Prêmios Nobel tratam-se de pesquisa e interação universidade empresa.

De volta ao Brasil, embora tenha um índice de publicações considerável, o conhecimento é pouco aproveitado no mercado.  Observa-se uma distância gritante entre as duas pontas (universidade/mercado). O próprio País se fecha, protegidos por Leis contra à inovação global. Somos de um lugar onde se exporta R$ 7 milhões de café e se importa aproximadamente R$ 35 milhões em cápsulas de café. Essas muito utilizadas em máquinas como Nespresso dentre outras. Assim como na colonização, praticamente continuamos exportando matéria prima, sem agregar valor ao nosso produto.

Ligação entre universidade e empresas

A alternativa que tem se apresentado para diminuir esse espaço universidade/mercado são as startups. Para quem não sabe, tratam-se de empresas com grande possibilidade de crescimento e escaláveis, ou seja, os custos não necessariamente acompanham sua expansão. A Walmart para expandir, precisa de espaço físicos, pessoal, produtos, dentre outros tipos de recursos. Já o WhatsApp, com uma operação que conecta mais de 1 bilhão de pessoas, continua com menos de 50 empregados.

Assim, as startups tendem a ser essa ponte que liga universidade e empresas. Tanto que muitas pesquisas acadêmicas têm se transformado em startups, para já começarem esse namoro com o mercado. E em Minas Gerais, há um movimento forte que apoia as startups. Aqui está situado o San Pedro Valley, uma associação de mais de 1000 startups, com a finalidade de fortalecer o ecossistema inovador.

 O próprio Governo de Minas, observando isso, tem apoiado o movimento com programas como o SEED – da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ( SEDECTES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPEMIG) –  que tem como finalidade ajudar o desenvolvimento de startups.  Ou mesmo com linhas de créditos especiais para a inovação oferecidas pelo Banco de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (BDMG).

Outras instituições como Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e empresas privadas, como o Banco BMG ou Grupo Algar estão investindo em programas relacionados à startups. Trata-se de uma tendência e não há mais como fingir que elas não possuem – e possuirão ainda mais – um papel relevante na economia mineira, essa em especial, ainda tão dependente da mineração e café. É a alternativa mais viável e a que mais sinaliza como solução a um futuro promissor para Minas e o Brasil.