O Brasil conta com 280 centros de equoterapia cadastrados na Associação Nacional de  Equoterapia (Ande). O uso de cavalos na reabilitação de pessoas com necessidades especiais foi reconhecido como método terapêutico país em 1997 pelo Conselho Federal de Medicina. No parecer apresentado à época, foram admitidas como inquestionáveis as melhoras no equilíbrio, coordenação motora e capacidade de comunicação dos praticantes, dentre outros benefícios. No entanto, o documento destacava a inexistência de “comprovação científica” dos mecanismos que explicam tal eficácia.

Apesar de ser uma prática disseminada, a necessidade de respaldo científico para profissionais que trabalham na área é citada por pesquisadores do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) para mostrar a importância de estudos, como o realizado com 11 crianças submetidas a esse tipo de tratamento. Cinco eram portadores da síndrome de Down e seis tinham deficiência intelectual, sem comprometimentos físicos. O objetivo era analisar as atividades musculares e a postura no grupo com síndrome de Down, comparando-o com o segundo grupo.

Financiada pela FAPEMIG, a pesquisa foi realizada em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Uberaba e coordenada pelo professor Vicente de Paula Antunes Teixeira, da UFTM. O trabalho foi apresentado como tese de doutorado pela fisioterapeuta Ana Paula Espindula e está entre os 70 que serão apresentados na Inova Minas, mostra de ciência, tecnologia e inovação, que acontece no Palácio das Artes, nos dias 23 e 24 de novembro. Uma das profissionais envolvidas, a fisioterapeuta Mariane Fernandes Ribeiro, descreve, no vídeo a seguir, como foi feito o acompanhamento:

Leia também o artigo sobre a pesquisa publicado na Revista Neurociências.

O chamado “movimento tridimensional” do cavalo é caracterizado por uma série de movimentos sequenciados e simultâneos produzidos pelo animal em sua andadura que são transmitidos à pessoa que está montada. “Mesmo quando o cavalo estava parado e a criança montada, ocorreu uma série de estímulos em quase todos os músculos estudados”, disse a pesquisadora ao Blog Minas Faz Ciência.

As atividades musculares foram observadas com a ajuda de eletrodos instalados nas regiões cervical, torácica, lombar e abdominal dos pacientes. Os fisioterapeutas também usaram como ferramenta o Software de Avaliação Postural (SAPo), que permite analisar variáveis como posição, comprimento, ângulo e alinhamento dos segmentos corporais por meio de fotografias.

A fisioterapeuta ressalta que o foco do estudo eram os estímulos provocados apenas pelo movimento do animal, por isso, as crianças acompanhadas não fizeram nenhuma atividade enquanto estavam montadas. “Durante a sessão de equoterapia, podem ser inseridos exercícios com os membros superiores ou inferiores, exercícios de rotação de tronco, levantar e sentar da sela com os pés apoiados no estribos, ou até mesmo atividades lúdicas e pedagógicas”, enumera Mariane.

Ao longo das 27 sessões acompanhadas (uma por semana, com duração de 30 minutos), percebeu-se que o estímulo muscular estabilizou-se após a décima sessão. Diante desta constatação, os pesquisadores sugerem inserir atividades para os dois grupos. No caso específico das crianças com síndrome de Down, percebeu-se a necessidade de sessões com mais de 30 minutos, devido à hipotonia (diminuição do tônus muscular), característica típica destes pacientes.

Imagem de destaque meramente ilustrativa / Corbis.