Ficção literária ajuda a interpretar as emoções do outro

Stethoscope on book in officeO universo literário está em evidência! Recentemente, brigas pela autorização de biografias estão estampando os meios de comunicação. Também, há pouco mais de duas semanas, os vencedores do Prêmio Jabuti 2013 foram anunciados. Cerca de 80 novos nomes foram premiados em 27 categorias. Em “Romance”, por exemplo, Evandro Affonso Ferreira, escritor de “O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam” levou a melhor. Em seguida, vieram “Glória”, de Victor Heringer, e “Barba ensopada de sangue”, de Daniel Galera.

Novos escritores estão sempre aparecendo e contribuindo para a literatura. Já falamos aqui no blog sobre como a poesia estimula a mente. Agora, uma nova pesquisa vem mostrar outra grande importância do mundo das palavras: ler ficção literária melhora a teoria da mente.

O objetivo inicial do estudo era desvendar o conceito de teoria da mente, que é ter habilidade de reconhecer o que o outro sente. Segundo os pesquisadores David C. Kidd e Emanuele Castano, da New School for Social Research, os seres humanos são propensos a ter essa capacidade, embora ela seja afetada pelas práticas culturais. A partir dessa noção, Kidd e Castano decidiram investigar o efeito dos livros sobre ela.

Para isso, foram escolhidos três tipos de literatura – ficção literária, ficção popular e não ficção – para que voluntários lessem um dos três gêneros. Após as leituras, eles passaram por testes para medir a capacidade de interpretar expressões humanas. O estudo, publicado na Science, revelou que quem lê ficção literária enxerga melhor o outro e suas complexidades, aumentando, assim, a empatia, a compaixão e o respeito pelo diferente. Isso porque esse tipo de literatura envolve o leitor e exige esforço para a interpretação, além de auxiliar e estimular mais a reflexão do que os outros gêneros.

Livros que costumam estar na lista dos mais vendidos, não ajudam na evolução dessas habilidades. Os personagens envolvidos em ficção literária são mais complexos, contraditórios e incompletos. Além disso, essas obras fazem com que o leitor se insira na história e se torne um tipo de coautor, acionando os processos mentais.

A pesquisa pode contribuir positivamente para relacionamentos interpessoais por ajudar na compreensão dos sentimentos do outro e por proporcionar uma experiência de troca.

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