Mulher faz ciência: a física que estuda as atividades solares

Ela já acompanhou, de perto, o lançamento de uma missão espacial com destino ao Sol. Atuou como pesquisadora visitante no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e no Observatório de Arecibo, em Porto Rico. Hoje, escreve livros sobre ciências espaciais para crianças. É também autora do blog O que diz a física. A paulista Alessandra Abe Pacini, 37, é a terceira das dez personagens que serão retratadas na nova edição do e-book Mulher faz Ciência, com lançamento previsto para fevereiro de 2020.

Alessandra é autora da série Girls InSpace [Meninas no espaço], que já tem três títulos, no formato e-book. “Além de ter, naturalmente, as meninas como protagonistas, em cada livro eu convidei uma pesquisadora real para fazer uma introdução e falar como ela se apaixonou pelo céu, para trabalhar naquela área de pesquisa”, diz.

Ficção e realidade

A cientista descobriu a própria vocação quando era adolescente, depois de assistir ao filme Contato (Contact, EUA, 1997), baseado no romance homônimo de Carl Sagan, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Jodie Foster. A protagonista, Ellie, buscava indícios de outras vidas no universo, desde menina. Até que recebe uma mensagem do espaço por meio de uma máquina capaz de levar apenas um ser humano para fazer contato com extraterrestres. Ellie reivindica, assim, o direito de ser escolhida para a missão.


Eu me lembro de ter falado: quero ser essa mulher. Ela luta pela pesquisa, observa nos melhores telescópios do mundo.

Em 2018, a física brasileira foi trabalhar como pesquisadora visitante em um dos telescópios retratados no filme, no Observatório de Arecibo, em Porto Rico – um “gigante de 300 metros de diâmetro”, como ela descreve. “Eu queria usar esse telescópio para o Sol. Ela já tinha sido utilizado na década de 1970, mas não houve interesse de continuidade. Então, eu retomei o programa”, afirma.

Pesquisas sobre o sol

Durante o mestrado e o doutorado em Geofísica Espacial, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Brasil, Alessandra estudou os impactos das explosões solares na alta atmosfera da Terra e os efeitos da atividade solar no clima terrestre, respectivamente. Depois, fez um segundo doutorado na Universidade de Oulu, na Finlândia. Atualmente, ela mora com o marido e os dois filhos nos Estados Unidos, onde atuou como pesquisadora no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

Em agosto de 2018, a cientista acompanhou, de perto, o lançamento do foguete da missão Parker Solar Probe, a que já chegou mais perto do Sol, até agora. A oportunidade surgiu durante um congresso de física solar e do meio interplanetário promovido pela Fundação Nacional de Ciência  (NSF), o Shine. “É a primeira missão que vai medir o plasma da coroa do Sol, entender como ela vira vento solar e por que é tão quente”, detalha. Alessandra conta que a missão já deu duas voltas em torno do astro e fez medições inéditas.“Com certeza, terão papers na Nature e na Science com esses dados”, prevê.

Mulher faz ciência

O primeiro volume do e-book Mulher faz Ciência foi lançado em fevereiro de 2019, para marcar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro. A ideia é dar visibilidade a pesquisadoras que se destacam em suas áreas e incentivar o ingresso de estudantes na carreira científica. A publicação reuniu dez pesquisadoras de diferentes perfis e áreas de atuação: a historiadora indígena Aline Pachamama; a bióloga Fernanda Staniscuaski; a cientista da computação Ingrid Splangler; a física Márcia Barbosa; a técnica em Meio Ambiente Myllena Crystina da Silva; a bióloga Natália Oliveira; a arquiteta e urbanista Priscila Gama; a farmacêutica Rafaela Salgado; a astrônoma e vulcanóloga Rosaly Lopes e física Sônia Guimarães.

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