Sistema de baixo custo vai medir gases estufa na criação de vacas leiteiras

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) estão dedicados a entender os sistemas de produção de leite de Minas Gerais, principalmente na região sul. O estado é o maior produtor do Brasil, com cerca de 25% de todo o leite nacional. Na tentativa de aumentar a produção e reduzir problemas sanitários, pecuaristas testam tecnologias de confinamento das vacas leiteiras e os cientistas estão mapeando os tipos de criação intensiva de bovinos para sugerir boas soluções.

De acordo com o professor da UFLA, Flávio Alves Damasceno, a equipe de pesquisa já visitou cerca de 20 instalações para compreender a matéria prima da “cama” usada para aconchegar os animais, a produtividade, condição do produto, entre outros detalhes.

Cientistas querem medir gases causadores de efeito estufa que são emitidos em cada nas fazendas. Foto: Arquivos do pesquisador

Além do inventário com caracterização gerais dos sistemas de confinamento, os cientistas farão – em parceira com universidades da Holanda, Itália e Colômbia – a estimativa de gases causadores de efeito estufa emitidos em cada uma dessas fazendas de produção leiteira.

“A cama que serve de chão para o gado passa por compostagem e há emissão de metano e amônia, o que é ruim para o animal e para o trabalhador rural”, explica. Os pesquisadores estão desenvolvendo equipamentos de medição e sensores de baixo custo para medição dos gases.  Eles criaram, por exemplo, um anemômetro feito na impressora 3D para medir a ventilação que influencia o manejo das camas.

Compost Barn (CB)

O professor se refere, especificamente, ao tipo de sistema de criação intensiva de bovinos leiteiros chamado Compost Barn (CB). É um método que visa melhorar as condições de conforto do animal e, consequentemente, aumentar produção de leite. No Sul de Minas, o material da cama utilizado nas instalações, que geralmente é composta de serragem de madeira, tem sido trocado por restos vegetais presentes nas fazendas como, por exemplo, casca de café seca.

Essa cama cobre toda a área da criação bovina. Os animais ficam soltos sobre o material orgânico e podem se expressar ou se movimentar de forma natural.

“Como há pequenas áreas de concreto, reduzem bastante os problemas de casco dos animais, que é um desafio para a pecuária leiteira. Além disso, o Compost Barn facilita o manejo de dejetos porque o animal defeca na cama”, afirma Flávio Damasceno.

Conforme o professor, o grande segredo de manutenção dessas instalações é o manejo. As camas são revolvidas pelo menos duas vezes ao dia com trator, mantendo a cobertura macia e incorporando oxigênio.

O segredo de manutenção dessas instalações é o manejo. Foto: Arquivos do pesquisador

Legado da pesquisa

O que os pesquisadores querem é deixar um legado sobre as instalações para bovinos, principalmente no que diz respeito à medição de gases estufa. “Na Europa, o sistema de confinamento é diferente daqui. Lá eles já fizeram estimativas de emissão, mas aqui ainda é preciso saber essas quantidades. Além disso, é necessário descobrir qual material para a cama poderia reduzir a emissão e qual tipo de manejo é mais adequado”, prevê Flávio Damasceno.

De acordo com o professor, os resultados da pesquisa poderiam ajudar a mudar a cultura dos produtores, para que tenham mais consciência ambiental na questão da redução de gases.

Os trabalhos na UFLA envolvem cientistas das áreas de engenharia agrícola, veterinária, zootecnia, engenharia civil, agronomia e ciência animal.  Em abril, a equipe lançará o livro “Compost Barn como uma alternativa para a pecuária leiteira” para difundir os estudos.

Cama cobre toda a área da criação bovina. Foto: Arquivos do pesquisador
Compartilhe nas redes sociais
0Shares

Luana Cruz

Doutoranda e mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Jornalista graduada pela PUC Minas. É professora em cursos de graduação e pós-graduação na Newton Paiva, PUC Minas, UniBH e ESP-MG. Escreve para os sites Minas Faz Ciência e gerencia conteúdo nas redes sociais, além de colaborar com a revista Minas Faz Ciência.