Já imaginou os vovôs e vovós se divertindo pra valer com jogos de realidade virtual? Pode parecer uma brincadeira, mas a ideia inspirou a tese de doutorado do professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Renato Sobral Monteiro Júnior, com o objetivo de melhorar o desempenho físico e cognitivo de idosos que vivem em instituições de longa permanência. O pesquisador colocou a turma para suar em cinco jogos do videogame Nintendo Wii, entre eles dança e luta de box.

Renato Sobral explica que após a internação nessas instituições, o idoso pode apresentar declínio cognitivo e físico mais acentuado que o normal. Alguns têm depressão e até mesmo quadros de demência, como o Alzheimer. “A proposta do projeto é investigar como o exercício físico ajuda a evitar a perda da autonomia funcional desses indivíduos”, destaca o pesquisador.

Atualmente, Renato Sobral coordena o projeto com idosos no Laboratório do Exercício da Unimontes

O professor, que é doutor em Neurociências e mestre em Ciências do Exercício e do Esporte, trabalhou com 70 idosos de quatro instituições de longa permanência. Um grupo de vovôs e vovós fazia o treinamento com o videogame e outro grupo praticava atividade física sem realidade virtual. Ambos eram monitorados numa sala montada especialmente para os trabalhos, duas vezes por semana. “Já esperávamos que os dois grupos fossem melhorar porque exercício traz benefícios de toda forma. No entanto, o grupo da realidade virtual obteve desempenho físico e cognitivo melhor”, relata o pesquisador.

Os idosos faziam atividades de controle e mobilidade articular de braços, além de equilíbrio e força para as pernas. Eram usados o controle do videogame e uma plataforma retangular que capta a distribuição de peso para frente ou para trás. Os participantes, inicialmente, apresentaram uma resistência ao projeto por causa da tecnologia, mas logo foram conquistados pelos benefícios de uma vida mais movimentada.

 “Nessas instituições, a média de idade está entre 80 e 85 anos. A primeira semana de treinamento é para familiarizar com o videogame. A partir da segunda semana, a interação e a motivação que eles criam é impressionante. Surge um laço com a atividade e eles não querem parar. Como fazem os exercícios em grupo, nasce até um clima de competição. Querem provar uns para os outros que conseguem”, conta Renato Sobral.

Futuro

Parte do trabalho do professor Renato Sobral foi feito em conjunto com a equipe do Laboratório de Neurociência do Exercício (LaNEx) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde obteve o título de doutor, e contou com a participação de pesquisadores do Universitary Hospital Norwegian Advisory Unit for Ageingand Health (Noruega). O projeto tem continuidade em Montes Claros, Norte de Minas, com a finalidade de gerar informações mais robustas e contribuir para o desenvolvimento científico na área de Educação Física. A ideia é envolver alunos da iniciação científica e mestrado para conduzir o estudo.

Atualmente 20 idosos independentes – que se descolam para o campus da Unimontes – participam das atividades. Estão envolvidos em exercícios de força e caminhada com os exergames, jogos eletrônicos que captam e virtualizam os movimentos reais dos participantes. Este trabalho é conduzido no Laboratório do Exercício da Unimontes sob coordenação de Renato Sobral, auxiliado pelos professores Vinícius Dias Rodrigues e Ester Liberato Pereira, ambos do Departamento de Educação Física e do Desporto. O grupo conta com o envolvimento de 15 acadêmicos dos cursos de Educação Física e de Medicina da Unimontes, além da fisioterapeuta Ana Carolina Rodrigues, doutoranda da Unicamp.

Internacional

A pesquisa científica foi publicada no “Journal of the American Medical Directors Association”, periódico norte-americano editado pela “Society for Post-acute and Long-term Care Medicine”. O jornal ocupa o segundo lugar no ranking de 262 periódicos na área de Geriatria e Gerontologia. O título original do estudo é “Virtual reality-based physical exercise with exergames (PhysEx) improves mental and physical health of institutionalized older adults”.

Serviço

Em Montes Claros, cada turma de idosos participa das ações entre dois e três meses, com duas sessões por semana. Em seguida, o idoso tem a opção de continuar frequentando a academia pelos quatro meses subsequentes, com acompanhamento de monitores e estagiários. Os atendimentos acontecem segundas e quartas-feiras, de 7h às 11h e de 15h às 17h. Ainda há vagas e os interessados podem procurar o Laboratório do Exercício da Unimontes, que funciona no Centro Esportivo Universitário.