Turismo: prática social e objeto de estudo

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As festividades de final de ano, bem como as férias escolares, têm um grande impacto na mobilidade de pessoas, objetos e também mensagens. As relações de proximidade e distância, ausência e presença são tensionadas: quem está longe quer ficar perto (e há também aqueles que querem fugir de tudo!)

No campo científico, uma área que dedica atenção especial a esses movimentos é o Turismo que, segundo especialistas, desenvolveu-se a partir das ciências sociais. Nos estágios iniciais, a presença dessa temática pode ser percebida tanto nas notações dos antropólogos (eles próprios turistas “especializados”, ou mesmo os turistas “tradicionais”, que se faziam presentes em seu campo de estudo), como nas reflexões dos sociólogos do trabalho, que tratavam do tema a partir da crescente presença do lazer nas sociedades modernas.

A partir da segunda metade do século XX, o turismo, como prática social, cresceu de forma exponencial, tornando-se alvo de estudos que o abordavam a partir de diferentes perspectivas. No artigo, “Estudar o turismo hoje: para uma revisão crítica dos estudos de turismo”, publicado em 2013, na Revista Etnográfica, a pesquisadora portuguesa Sofia Sampaio, discute as vertentes dos principais estudos sobre o turismo tendo por base duas “importantes antologias” sobre o tema nas ciências sociais, a saber: “The Sage Handbook of Tourism Studies” e “The Sociology of Tourism: European Origins and Developments”

Não iremos nos deter aqui em uma análise aprofundada dessas correntes teóricas. O que queremos destacar é a relevância do tema e o fato de que, no Brasil, os estudos acadêmicos sobre turismo vêm crescendo, tendo como marco, por exemplo, a criação, em 2002, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR).

Autores do campo das ciências sociais, como John Urry, destacam que o turismo pode ser um importante ponto de partida para se observar e compreender as relações que se estabelecem nas sociedades contemporâneas, desde as perspectivas filosófica e sociológica, que abordam aspectos culturais, estéticos e políticos, até questões ligadas ao meio ambiente (emissão de carbono a partir dos sistemas de transporte) e às políticas públicas de saúde (controle de epidemias).

De acordo com Sampaio, há uma excessiva ênfase numa visão do turismo como performance, ou mesmo uma tendência a “exoticizar” o movimento. Segundo a pesquisadora, faz-se necessário desenvolver outras abordagens que “rematerializem”os estudos, bem como o investimento em metodologias que consigam capturar melhor a dinâmica dos movimentos do turismo.

“No final, questões teóricas à parte, impõe-se-nos a pergunta: como estudar o turismo hoje? O que nos fica destas duas obras é a importância dos estudos locais. O turismo tende a fomentar grandes discussões especulativas – desde polémicas de cariz político (que o veem ou como libertador dos povos e promotor da harmonia universal, ou, no extremo oposto, como destruidor de culturas e criador de desigualdades) até considerações de ordem filosófica ou estética (que tomam o turismo e o turista como metáforas de uma condição humana universalizante). Num e noutro caso é reciclada toda uma retórica que, sob diversas formas (discursos oficiais de promoção turística, publicidade, literatura, cinema), irriga o quotidiano e a própria academia.

(…)

Reconhecer, a partir de observações diretas e recebidas, que há um rol de coisas, processos e relações que, não sendo imediatamente visíveis, todavia fazem “parte da fotografia”, constitui um passo importante na rematerialização e necessária revitalização dos estudos de turismo.”

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Formação:

Atualmente, grande parte dos cursos de turismo são oferecidos nas universidades privadas. No entanto, em Minas Gerais, o curso é ofertado nas principais universidades públicas do estado: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Há também a opção da formação técnica, como o curso do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC-MG).

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Referência: SAMPAIO, Sofia. Estudar o turismo hoje: para uma revisão crítica dos estudos de turismo. Etnográfica [Online], v.17, n.1, 2013. Disponível em: http://etnografica.revues.org/2615

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