Com ciência na rede

O Brasil ocupa, hoje, a segunda posição em número de usuários de redes como o Twitter e o Facebook no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, constar no topo desse ranking não representa, necessariamente, motivo de orgulho nacional. Ao lado da sua propensão natural a compartilhar dados, os brasileiros também são tidos como menos críticos quanto ao conteúdo postado. Some-se a isto o fato de o País ainda estar caminhando em relação à legislação informática e tem-se um cenário que oscila, continuamente, entre malefícios e benefícios da superexposição de informações.

No lado positivo da balança, pesam as iniciativas que partem para a utilização dos dados disponibilizados nessa imensa rede em prol da própria sociedade. Figura aí um estudo desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas (Icex) da UFMG. A pesquisadora Janaína Gomide propôs, na sua dissertação “Mineração de redes sociais para detecção e previsão de eventos reais”, uma metodologia para prever a ocorrência de surtos de dengue e de enchentes por meio de posts dos usuários do Twitter.

Janaína optou pelos temas devido ao impacto que eles causam na vida das pessoas e no País. Foi desenvolvida, então, uma metodologia para coletar os dados disponíveis nas redes sociais. Após definido o evento de interesse, são especificados os termos mais utilizadas para descrevê-lo. O próximo passo é a coleta das mensagens, das quais são extraídas, por meio de um software, informações como a localização geográfica do usuário, o texto e a data das postagens – com o cuidado de manter anônimos os dados.

A pesquisadora considerou o fato de que, no mundo da internet, muitas vezes a realidade é literalmente “virtual”. Assim, para evitar que informações falsas comprometam os resultados, os dados obtidos são confrontados com informações oficiais, capazes de evidenciar a quantidade e a gravidade das ocorrências. Também são analisados aspectos como volume de mensagens, seu conteúdo, localização do autor e do evento, data das postagens e dos fatos. Comprovada a correspondência entre os dados, os posts podem ser considerados no mecanismo de previsão. A partir de parceria com o Ministério da Saúde, a metodologia foi empregada no Observatório da Dengue, que busca prever possíveis casos da doença e alertar sobre a situação nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.

E como neste universo, globalizado e compartilhado, ninguém está só, outras pesquisas similares são lembradas por Janaína, como uma desenvolvida no Japão, que detecta a ocorrência de terremotos, e a página do Google que monitora a tendência da gripe a partir de termos de busca. Isso sim, é “colaborativo”!

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