Cientistas mapeiam e organizam cadeia produtiva de frutos do cerrado

Projeto de pesquisa e extensão presta assessoria a empreendimentos que trabalham com pequi e outros frutos do cerrado do Norte de Minas

Foto: Emater-MG/Divulgação via Agência Minas

Abundante na região Norte de Minas Gerais, o pequi é um fruto de características peculiares. Por baixo da casca firme, a polpa amarela tem aroma inconfundível. Depois de cozida a iguaria, seu sabor marcante é capaz de dividir paladares – há quem ame e quem odeie. Os bons “roedores” costumam alertar aos desavisados: por baixo da massa comestível, esconde-se um caroço cheio de espinhos.

De alimento de subsistência – principalmente, para a população mais pobre – a estrela da culinária exótica, o pequi é também importante fonte de renda para cooperativas locais. As formas mais comuns de comercialização do fruto são in natura (descascado e embalado, ou, até mesmo, congelado) e como polpa ou óleo.Para potencializar o interesse dos grandes compradores da indústria alimentícia, além de garantir maior segurança aos consumidores domésticos, são exigidos padrões sanitários e de qualidade.

No Instituto de Ciências Agrárias (ICA), campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na cidade de Montes Claros, um projeto de pesquisa e extensão presta assessoria a empreendimentos que trabalham com o pequi e outros frutos nativos da região. O objetivo é mapear e organizar a cadeia produtiva, com ações que começam na colheita e seguem à fase de processamento.

As famílias dos pequenos produtores dedicam entre 30 e 60 dias às safras. Os frutos são embalados em sacos e caixas de 30 quilos, ou vendidos a granel. “Um dos problemas na coleta do pequi é o extrativismo predatório. Alguns comerciantes ou atravessadores que vêm de fora, por exemplo, não têm o cuidado de coletar os frutos caídos no chão. Quando coletados diretamente no pé, aquela galha não produz no ano seguinte”, exemplifica o químico Teddy Marques Farias, coordenador do projeto e técnico responsável pelo Laboratório de Óleos do ICA.

Parte dos equipamentos usados nas pesquisas foi adquirida com recursos de editais da FAPEMIG. O laboratório também conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de grandes empresas, como a Petrobrás. Recentemente, um sistema de cromatografia gasosa (que permite a avaliação físico-química e nutricional dos alimentos, com ênfase em óleos e gorduras, vitaminas e substâncias) foi adquirido com recursos de convênio entre a UFMG e o Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça.

Foto: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda)/Divulgação via Agência Minas

Processamento

A produção da polpa do pequi envolve cuidados da extração à embalagem. Neste caso,os frutos são fatiados, sem os espinhos, e, depois, imersos numa solução de conserva, normalmente acondicionada em vidro. Todo o processo deve ser feito em até 24 horas. “A questão da qualidade sanitária é um dos problemas da polpa de pequi de procedência duvidosa encontrada no mercado, sem informações de origem, data de fabricação e método de produção”, aponta o pesquisador, ao lembrar que outro fator determinante para a qualidade da polpa é a pureza da água usada no processo.

O óleo do pequi, por sua vez, geralmente é extraído de forma artesanal, o que dificulta a existência de um padrão entre os produtores. “Nossa equipe fez um pedido de patente da extração para escala industrial, que visa, justamente, padronizar a produção”, revela Farias. Ao menos 15 cooperativas e associações que trabalham com o processamento do pequi já foram atendidas pelo projeto.

Trata-se de empreendimentos que atuam como fornecedores para feiras, supermercados, e sorveterias, assim como para a indústria de cosméticos e produtos nutracêuticos – compostos extraídos de vegetais ou animas, vendidos como cápsulas, por exemplo, que podem ser encontrados nas prateleiras das farmácias de manipulação.

Conhece a Macaúba? Quer saber mais sobre este fruto? Leia a reportagem completa na revista Minas Faz Ciência, edição 82.

Alessandra Ribeiro

Graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH (2004). Especialista em Imagens e Culturas Midiáticas (2008) e mestra em Comunicação Social (2020) pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG . É jornalista do projeto Minas Faz Ciência desde 2015 e autora do e-book Mulher faz Ciência.

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