Quem tem medo de ter medo?

Em livro, psicanalista e professor Christian Dunker analisa sentimentos, reações e relações do “eu” frente aos desafios – coletivos – da quarentena

Em meio a crises globais, como reagem – e se redefinem – os indivíduos? De tempos em tempos, tal questão parece bater à porta do Homo sapiens, de maneira a assombrar a rotina de seus princípios, sentimentos e modos de sobrevivência.

No e-book A arte da quarentena para principiantes, Christian Dunker, psicanalista e professor livre docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), busca problematizar o comportamento dos cidadãos brasileiros durante a pandemia.

Negações e aflições, egoísmos e solidarismos, racionalidades e ilusões são analisados tanto à luz da Psicanálise quanto segundo a bússola da transversalidade, a partir da aproximação e do entrelaçamento de saberes e campos do conhecimento.

Em dez “movimentos”, o livro discute temas como “Onipolítica contra necropolítica”, “A lógica das epidemias”, “A função da cultura na saúde mental”, “hipocondria” e “Alguns sentem tanto medo que precisam negar o que está acontecendo”.

Para os interessados em conhecer melhor o pensamento de Dunker, aliás, fica a dica: no dia 4 de agosto, às 17h, com transmissão pelo YouTube do Memorial Minas Gerais Vale, ele participa do “Webinário Conversas sobre Perguntas”.

No evento, promovido e financiado, colaborativamente, pelos equipamentos culturais Casa Fiat de Cultura, CCBB, Memorial Minas Gerais Vale e MM Gerdau, o pensador aborda o tema Os novos desafios do eu – Psicanálise e vida pós-pandemia.

Trecho

“A chegada do novo coronavírus colheu o Brasil em meio a dois processos particulares: a divisão social discursiva e a pauperização da vida econômica e dos direitos trabalhistas. A retórica de campanha eleitoral, tornada depois método de governo, baseada na produção contínua de inimigos imaginários e instrumentais se viu impactada pela chegada de um inimigo real, biológico e natural. Nada mais óbvio que isso gerasse a resposta descrita por Freud como negação. A negação se expressa pela admissão de determinado conteúdo recalcado, que chega à consciência, ou melhor, ao pré-consciente, mas que em seguida é abolido pela emergência de uma negativa. O exemplo clássico é: “sabe essa mulher no meu sonho? Pois bem, a única coisa que posso dizer é que ela não é minha mãe.”

O livro

Livro: A arte da quarentena para principiantes
Autor: Christian Ingo Lenz Dunker
Editora: Boitempo
Páginas: 70
Ano: 2020

Imagem: divulgação

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