Uma pesquisa desenvolvida pelo campus Curvelo do Cefet estuda a estrutura dos cupinzeiros como modelo para a ventilação de construções mais ecológicas e eficientes.

Ao observar os cupinzeiros da espécie Cornitermes cumulans, encontrada em região de cerrado, vegetação original do município de Curvelo, os pesquisadores procuram soluções de baixo custo e de redução de consumo.

Este tipo de pesquisa se baseia na biomimética, ciência que busca modelos seguindo o exemplo da natureza, para desenvolver produtos e processos inspirados nos seres vivos e em mecanismos naturais.

A equipe de pesquisa é orientada pela professora e diretoria do campus, Lourdiane Gonzaga, e coorientada pelo professor Bruno da Cruz Pádua.

Primeiro, os cientistas fizeram a extração e a análise de amostras de cupinzeiros encontrados no próprio campus Curvelo.

Neste material, foram identificadas pequenas galerias conectadas entre si, com o núcleo de material formado por celulose, saliva e terra.

“Ainda não conhecemos os pormenores do sistema de ventilação. O que sabemos é que ele existe e seu funcionamento mostra-se de grande complexidade”, explica o aluno de Engenharia Civil Antônio Oliveira, participante da pesquisa.

Em vários países já existem construções inspiradas no trabalho dos cupins, como o Eastgate Centre, em Harare (Zimbábue) e o Council House 2, prédio da prefeitura de Melbourne (Austrália). Porém as especificidades da espécie brasileira Cornitermes cumulans ainda são poucos exploradas, principalmente, quando se considera a biologia aliada à engenharia civil.

Eastgate Centre, no Zimbabwe.

Eastgate Centre, no Zimbabwe. 

Antônio explica que os processos de ventilação e arrefecimento utilizados em cupinzeiros de espécies da África e Austrália têm se mostrado eficientes quando aplicados nas construções, permitindo a redução do consumo energético.

“Hoje, uma das formas mais comuns para resfriamento dos espaços internos ocorre mediante a utilização de condicionadores de ar, uma alternativa nada sustentável”, critica.

A aluna de Engenharia Civil, Zulina Matoso explica também que a espécie brasileira consegue manter uma temperatura ideal dentro do seu habitat, tanto durante o dia como a noite.

“Porém, não sabemos como essa circulação de ar acontece e é nesse ponto que queremos chegar. A partir daí, vamos entender como consegue manter a temperatura ideal e, assim, relacionar com um protótipo de edificação. Isso garantiria maior eficiência energética, criando uma construção sustentável”, conclui.

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Com informações da Secretaria de Comunicação Social / CEFET-MG
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 As imagens utilizadas nesta reportagem são ilustrativas e não estão relacionadas diretamente à pesquisa em questão.