Parece meio nojento esse papo de comer inseto, não é? Mas a verdade é que os insetos são uma fonte incrível de proteína, vitamina, fibra e minerais. Além disso, são abundantes no planeta Terra, com cerca de 1 milhão de espécies descritas. Tudo isso poderia fazer dos insetos uma fonte de alimento rica e fácil de encontrar. Esse assunto envolve questões científicas, sociais e culturais. Vamos conferir?

Borboleta. Foto: John Flannery/Flickr

Borboleta. Foto: John Flannery/Flickr

1 – Questão científica: nutrição

Os insetos fornecem nutrientes de alta qualidade comparáveis com a carne e peixe. Mas, calma aí! Nem todos os insetos são comestíveis! A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que é possível comer cerca de 900 espécies. Na lista de comestíveis estão besouros, borboletas, mariposas, abelhas, vespas, formigas, gafanhotos, grilos, cupins, percevejos e cigarras.

Não dá para sair catando insetos em qualquer lugar para comer. Eles precisam vir de criadouros especializados para garantir que estão livres de doenças, pesticidas ou para que sejam neutralizadas glândulas venenosas. A Tailândia, por exemplo, já possui 20 mil fazendas de insetos. Lá foram pensadas formas de cultivar e processar os bichinhos para substituir aves e mamíferos na alimentação.

Segundo os cientistas, o destaque nutricional dos insetos fica com a proteína. Ela é essencial para desenvolvimento físico e mental das crianças, além de ajudar nas defesas do nosso organismo. Esses bichinhos também são ricos em vitamina A, muito importante para a nossa visão. A ausência dela, em casos extremos, pode causar até cegueira.

Insetos têm boas quantidades de ferro e a ausência desse nutriente pode deixar a pessoa cansada, lenta e anêmica.  Outros micronutrientes como cobre, magnésio, manganês, fósforo, selênio e zinco também estão presentes nos insetos.

Gafanhoto. Foto: Romulo Filipini/Flickr

Gafanhoto. Foto: Romulo Filipini/Flickr

2 – Questão social: desnutrição

Em 2013, a FAO lançou uma campanha orientando a inclusão dos insetos na dieta com o objetivo de combater a fome em alguns países. A desnutrição crônica é uma questão complexa e global que tem graves consequências para a saúde, principalmente de crianças.

Estar desnutrido não é apenas falta de calorias, mas sim a ausência de nutrientes essenciais para o corpo. Portanto, cientistas são chamados para ajudar nessa batalha, explorando maneiras de melhorar a dietas das pessoas. Os insetos poderiam ser importantes suplementos para subnutridos.

A preocupação da FAO é que cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem desnutrição atualmente e como o população mundial cresce a cada ano, será muito difícil alimentar esse batalhão de gente no futuro. Segundo a FAO, criadouros especializados de insetos poderiam ser uma das soluções. Ademais, de acordo com a organização, essas fazendas causam impactos ambientais menores que outras criações animais.

No entanto, isso não significa que seremos obrigados a incluir insetos no dia a dia, nem mesmo que o consumo de bichinhos na alimentação é obrigatório. Há dietas vegetarianas (sem produtos de origem animal) muito saudáveis, quando corretamente planejadas. Cereais, grãos, legumes, frutas, folhas e sementes são fontes de proteína  e outros nutrientes  importantes.

Abelha. Foto: Paulo Jeveaux/ Flickr

Abelha. Foto: Paulo Jeveaux/ Flickr

3 – Questão cultural: incluir nas refeições

A FAO estima que insetos já façam parte das dietas tradicionais de pelo menos 2 bilhões de pessoas, principalmente na  Ásia e América Central onde há disponibilidade das espécies comestíveis. Incluí-los nas refeições é uma questão cultural e já é rotina em muitos países. Veja alguns exemplos:

Grilos e larvas de bicho-da-seda são comidos na China. No México se come lagartas, ovos de mosquito, percevejos, gafanhotos e cigarras. Estas últimas também são consumidas no Vietnã e Japão. Na Índia o cupim é bastante consumido. No Brasil, os índicos amazônicos nos deixaram com herança o consumo da formiga. Ela faz parte de pratos feitos até pelos chefes de cozinha.

Curiosidades

– Amigos do ambiente: insetos produzem menos gases causadores de efeito estufa e utilizam menos água do que o gado convencional;

– Eficientes: Insetos podem se alimentar de resíduos biológicos – como restos de alimentos – e transformar isso em proteína de alta qualidade;

– Econômicos: a criação de insetos depende de menos espaço que a pecuária convencional.

Fontes das informações; BBC: Could science improve the nutrition of millions?  | BBC Four documentary: Can Eating Insects Save the World?FAO: The contribution of insects to food security, livelihoods and the environment