Bactéria e clima: você sabe qual a relação entre elas?

Pesquisa, desenvolvida na Ufla, identifica o papel das bactérias presentes na atmosfera e sua relação com os processos ambientais

Pequenas, invisíveis e às vezes muito letais, as bactérias – de diversos tipos e famílias -, estão presentes em centenas de milhares de partículas espalhadas pelo ar. Mas você sabia que estes micro-organismos vivos podem ajudar, e muito, a entender os processos ambientais?

E mais! Que eles podem diminuir problemas futuros com a saúde e também no agronegócio? Esta é a proposta do estudo desenvolvido pelo pesquisador da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Marcelo Vieira da Silva Filho. 

Vieira Filho conta que a atmosfera é um sistema bastante complexo, que contém tanto poluentes atmosféricos, como também micro-organismos vivos (vírus,bactérias e fungos) emitidos por diferentes processos e que estão sempre em suspensão no ar.

Então, por que não se utilizar destes zilhões de partículas propensas no ar para saber o que está acontecendo no ambiente? Pois bem, foi exatamente isto que Vieira Filho estudou.

O projeto teve início em meados de 2018, e, a partir das dezenas de amostras coletadas foi possível o isolamento de algumas espécies, que foram identificadas como Staphhylococcus epidermis e Micrococcus luteus.

“Pouco conhecemos sobre o papel dessas espécies no tocante à participação no regime de chuvas, toxicidade ou mesmo impactos quando depositados em corpos d’água e solos férteis. O monitoramento e identificação permitem uma avaliação de tais processos ambientais, além de permitirem avanço científico para região de Minas Gerais e fomento de parcerias interdisciplinares na grande área de ciências ambientais”, conta.

Testando a relação entre bactéria e clima

Para realizar a pesquisa, o grupo de trabalho coordenado pelo pesquisador coletou amostras da água de chuva a partir de um coletor inerte para quantificação por meio de técnicas de cultivo em meio sólido, contendo os nutrientes necessários para o crescimento de bactérias heterotróficas. “Na continuidade do projeto, o próximo passo será continuar com o monitoramento biológico da deposição, além de associar aos fatores abióticos e meteorológicos a fim de identificar padrões de sazonalidade nas espécies”, explica. 

“O estudo a respeito da microbiologia atmosférica é restrita na Europa e nos EUA, aqui no Brasil também existe uma escassez de trabalho nesta área.  Ao identificar algumas destas bactérias locais podemos entender uma série de fenômenos meteorológicos e impactos ambientais, evitando possíveis prejuízos futuros”, finaliza.

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