Todo mundo conhece alguma história de alguém que guardava dinheiro sob o colchão, como forma de juntar quantia suficiente à realização de sonhos materiais. Na infância, as crianças ganham porquinhos e pequenos cofres para guardar cada moedinha que ganham. Há, ainda, aqueles que preferem deixar as economias na poupança, para que o dinheiro renda com o passar do tempo.

O comportamento do brasileiro assalariado em relação às finanças, entretanto, alterou-se nos últimos anos. Hoje, já não é tão vantajoso conservar dinheiro na caderneta de poupança, nem mesmo debaixo do colchão. Com as mudanças ocorridas na economia brasileira, ao longo da última década, os juros da Selic – a taxa básica de juros da economia, por meio da qual o Banco Central controla a inflação – diminuíram consideravelmente, tornando muito pequenos os rendimentos poupados.

 A saída, para muitos, está no investimento em mercado de ações, que, por ser importante a qualquer economia, apresenta-se, hoje, como objeto de estudos diversos. Daí a busca por modelos e a ânsia por informações capazes de ajudar a previsão do comportamento do mercado. Em tal contexto, destaca-se a pesquisa de Carlos Alberto Silva de Assis: “Predição de tendências em séries financeiras utilizando metaclassificadores”.

Defendido junto ao Programa de Pós-Graduação em Modelagem Matemática e Computacional, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), o trabalho consiste na apresentação de método para previsão de séries temporais financeiras, por meio do uso de técnicas de inteligência computacional combinadas.

“O investimento na bolsa de valores exige trabalho de acompanhamento. Você põe o dinheiro na bolsa, mas ele pode sumir, da noite para o dia. Isso aconteceu com as ações da Vale, que despencaram após Brumadinho. O objetivo da pesquisa foi encontrar soluções para ‘prever o futuro’ e, assim, ajudar a tomada de decisão do investidor”, explica Assis.

Algoritmos

Há alguns anos, pesquisadores da área tentam desenvolver técnicas que ajudem a previsão do comportamento de ativos financeiros. Entretanto, mesmo com os inúmeros estudos, antecipar preços e tendências não é algo fácil. Realizar predições é lidar com as incertezas do mercado financeiro e outros imprevistos. “Além disso, o ser humano é feito de emoções. Quando vê seu dinheiro rendendo, e percebe que o ativo tem subido, ele investe maior quantia, mas não é capaz de calcular o risco de queda. Por falta de conhecimento, a pessoa perde dinheiro”, detalha o pesquisador.

Em sua pesquisa, Assis desenvolveu um metaclassificador, baseado em métodos de inteligência computacional, para descobrir tendências de preços para ativos de bolsa de valores. “Trata-se de um arcabouço composto de algoritmos internos. Em meu estudo, desenvolvi um metaclassificador composto por sete algoritmos, que foram aplicados em ambientes simulados”, conta.

Quer saber como funciona o metaclassificador? Veja esta reportagem na revista Minas Faz Ciência edição 79.

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