MicrouniVersos | No front


Publicado em 29/11/2019 às 08:00 | Por Maurício Guilherme Silva Jr

O embate parece inevitável, posto que as linhas adversárias avançam com a arrogância dos ventos fugidios.

Eloquente, a tensão se instaura, como a predizer tempestades de artilharias antípodas.

De um lado, a grandiloquência dos novos estratagemas; de outro, a primazia dos navegantes de inumeráveis jornadas.

Sobre a colina das controvérsias, há de se espalhar o acre sangue das inclemências?

Em meio à floresta das ilusões humanas, perecerá a consciência de encontros e afetos?

Sob o silêncio de céus profundos, há de se escutar o ganido de lâminas contra a carne amorfa?

Alheios às causas e aos delírios do campo de batalhas, outros tantos olhares anteveem catástrofes junto ao fumegar de antíteses.

Também testemunha das contendas do tempo, a noite já se predispõe a cobrir os incontáveis (e horrendos) fragmentos de homens e sonhos.

O embate, afinal, parece inevitável, posto que as linhas adversárias avançam com a impetuosa arrogância dos ventos fugidios.

“Não havia pensado nisso. Você tem razão!”, admite, com juventude no olhar, o já calejado professor, em resposta ao aluno que, lá do fundão, ousa discordar de sua antiga teoria.

Eis o anúncio a suscitar, em todo o restante da turma, suspiros de alívio e fascínio frente ao mais do que impensável tratado, soberanamente selado entre tais magníficas tropas de pensamento contrário.

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