Quanto vale a floresta amazônica?

Enquanto o mundo assiste com preocupação ao desmatamento na Amazônia, 13 pesquisadores brasileiros e estrangeiros mostram a importância econômica da floresta. O grupo assinou um artigo publicado na revista Nature Susteinability. No estudo, os pesquisadores quantificam os serviços ecossistêmicos prestados pela floresta. Os cálculos indicam que, de pé, a floresta amazônica gera uma economia anual de US$ 8,2 bilhões para o Brasil.

Segundo Gabrielle Pires, co-autora do artigo, a pesquisa contribui para aliar conservação e economia. “As informações geradas no trabalho demonstram que temos tanto razões sociais quanto econômicas para preservar a floresta. Identificamos setores que são diretamente afetados. E isso ajuda no discurso da necessidade de conservação da floresta, que só por sua presença já é tão importante para nós”, diz a pesquisadora.

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Serviços ecossistêmicos e a floresta amazônica

O estudo conduzido por pesquisadores de diferentes instituições quantificou uma parte dos serviços ecossistêmicos prestados pela floresta e indicou quantos dólares o Brasil pode perder a cada quilômetro quadrado desmatado.

Mas o que são esses serviços? “São benefícios diversos que o ser humano recebe gratuitamente dos ecossistemas naturais. Só por eles estarem ali, presentes e funcionando”, afirma Gabrielle Pires, professora do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e uma das autoras do trabalho.

Alguns desses serviços, apesar de terem grande importância, ainda não podem ser precificados, como a conservação da biodiversidade. Outros, apresentam elevado impacto econômico quantificado. É o caso do controle de erosão, da prevenção de enchentes, da regulação climática e do extrativismo de produtos naturais, como a borracha.

“Estimar esse valor econômico associado a esses serviços é um grande desafio. De muitos não dispomos de informações. Então avaliamos apenas uma parcela”, conta Pires. Foram selecionados quatro serviços ecossistêmicos: produção de alimentos; fornecimento de matéria prima (principalmente madeira e borracha); serviço de mitigação de gases de efeito estufa; e regulação climática para a agricultura e para a geração de energia elétrica.

Perdas por área desmatada

Segundo Gabrielle Pires, a grande novidade do trabalho foi construir essa estimativa para cada hectare, ao invés de atribuir um valor médio para toda a floresta. Para o trabalho desenvolvido na UFV, foram usados dados de censo agropecuário, dados coletados em campo, preços de commodities agrícolas, sensoriamento remoto e modelagem para permitir diversas simulações de cenários de desmatamento.

“Nós usamos esses dados para fazer a valoração marginal da floresta. Calculamos a perda econômica que ocorre quando uma parcela da Amazônia é perdida. Ou seja, toda vez que se desmata um hectare de floresta, nós podemos mensurar a perda econômica que acontece anualmente após essa perda”, explica a pesquisadora. A soma dos serviços ambientais pode chegar, em algumas áreas, a US$ 737 por hectare por ano.

Regulação climática

O estudo envolveu times de pesquisadores, cada um responsável por diferentes serviços ecossistêmicos. A equipe da UFV analisou a regulação climática para a agricultura e a geração de energia elétrica.

“Observamos que as áreas que estão sendo desmatadas podem contribuir muito para a redução de chuvas, e isso pode afetar diretamente a agricultura que depende desses regimes de precipitação”, diz Pires.
Segundo a professora, quanto mais próximo à área desmatada, maior a influência do desmatamento sobre o regime de chuvas, mas as consequências são continentais.

Além das perdas para a agricultura, os pesquisadores identificaram também, com o avanço do desmatamento, um impacto na geração de energia elétrica. Em áreas desmatadas ocorre o atraso no início da estação chuvosa. E os reservatórios, mais baixos, comprometem a geração de energia hidrelétrica.

Os resultados do estudo estão disponíveis na ferramenta “Desmatamento e Chuva”, do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera – Biosfera, da UFV, e na plataforma AmazonEco Services, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG .

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