Reciclagem e troca do lixo eletrônico

Computadores, aparelhos de TV e de som, celulares e diversos outros dispositivos eletrônicos são substituídos e jogados fora, de modo crescente. O lixo eletrônico é um problema mundial. Cresce a produção, o consumo e, consequentemente, o acúmulo de resíduos.

Na 38ª edição da Feira Tecnológica do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), estudantes apresentam ideias e projetos de inovação em diversos segmentos. Nesse Ondas da Ciência, conheça o CanCycle, projeto que incentiva o descarte correto de lixo eletrônico. Apresentamos também o Desestoca, plataforma para troca de materiais e componentes eletrônicos no setor industrial.

CanCycle: coleta do lixo eletrônico

Nathan Ribeiro da Cunha Azevedo, aluno de Engenharia de Controle e Automação do Inatel, idealizou junto de três outros estudantes o CanCycle. É um projeto que incentiva o descarte correto de lixo eletrônico. Consiste em um ponto de coleta automatizado, com venda reversa, onde as pessoas poderão depositar equipamentos em desuso.

“Em vários países, inclusive em algumas cidades brasileiras, existem máquinas de reciclagem de latas de alumínio. São as mais famosas. Mas uma máquina que recicla lixo eletrônico é mais rara, só existe nos Estados Unidos. Mesmo assim é muito cara. Nós desenvolvemos um sistema focado em países emergentes”, explica Azevedo.

A lógica do projeto tem como base princípios da Economia Circular. Segundo o estudante, o sistema possibilita que o lixo eletrônico seja reformado e colocado de volta na linha de produção, por meio de reciclagem ou de venda para outra pessoa.

A ideia é que com a CanCycle, os materiais serão analisados e, de acordo com seu valor agregado, revertidos em créditos para os usuários. Esses créditos poderiam ser descontados na conta de energia, transferidos para um banco ou doados para uma instituição de caridade.

No município de Santa Rita do Sapucaí fica localizada a Casa Viva, que promove campanhas de arrecadação de lixo eletrônico. “Eles revertem o que ganham com o lixo eletrônico para instituições de caridade. São muito procurados pelas empresas locais. Mas não existe um ponto de coleta hoje”, afirma o estudante.

Desestoca: troca de materiais em desuso

Criado pela aluna Stefany Rodrigues Lau, do curso de Engenharia de Controle e Automação, o Desestoca é uma plataforma para troca de materiais e componentes no setor industrial. A ferramenta foi pensada para o Vale da Eletrônica, onde empresas muitas vezes descartam materiais que estão em desuso, mas ainda em bom estado.

“Na nossa pesquisa, tivemos relatos de que o estoque obsoleto de uma indústria de eletrônicos pode ser de 15 a 30% da sua estocagem total. Uma empresa pode ter em estoque algum componente que já foi produzido, que já foi comprado e que outra empresa pode precisar. Por meio da plataforma, as empresa pode fazer uma troca por algo que tenha valor”, explica Stefany Lau.

Algumas empresas já entraram em contato com o grupo de estudantes, formado por Lau e por outros três alunos, dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e Engenharia de Computação. As indústrias manifestaram interesse em participar da plataforma. O objetivo é criar um ambiente colaborativo entre as empresas.

A prova conceito do projeto será apresentada durante a Fetin. A expectativa é lançar a plataforma após a feira. “Pelos relatos que coletamos, vimos que as empresas têm interesse em trocar outros materiais, não só eletrônicos. Então a ideia é que a plataforma possa incluir diversos tipos de materiais”, diz a estudante.

A Fetin reúne estudantes do Inatel e de universidades estrangeiras. Na
38ª edição serão apresentados mais de 100 projetos nas áreas de Saúde, Meio Ambiente, Automação e Games, entre outros segmentos.

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