Mundo em metamorfose

Cada um de nós guarda uma série de convicções acerca dos desafios de nosso tempo. Tudo, afinal, parece repleto de indagações: de que maneira o mundo (leia-se: os homens, a natureza, “as coisas”) se altera com o passar dos séculos? Sob quais interesses? E com que efeitos? Na visão de Ulrich Beck (1944-2015) – que atuou como professor de sociologia da Universidade de Munique e da London School of Economics and Political Science –, passamos, realmente, por épocas cada vez mais complexas e incompreensíveis.

Em sua derradeira obra, o pensador defende a distinção entre “metamorfose” e mudança: “A mudança põe em foco um futuro característico da modernidade, a saber, a transformação permanente, enquanto os conceitos básicos e as certezas que os sustentam permanecem constantes. A metamorfose, em contraposição, desestabiliza essas certezas da sociedade moderna” (veja, abaixo, trecho completo)

Na obra, dividida em três capítulos (“Introdução, evidências, teorias”; “Temas”; e “Panorama”) Ulrich Beck – autor, dentre outros livros, do importante Sociedade do risco, de 1986 – problematiza temáticas como “Por que metamorfose do mundo, por que não transformação?”; “Para onde vai o poder? Política da invisibilidade”; Catastrofismo emancipatório: bens comuns como efeitos colaterais de males”; “Risco digital: o fracasso de instituições operantes”; e “Gerações de risco global: unidas no declínio”.


Trecho

“O objetivo deste livro é tentar compreender por que não compreendemos mais o mundo. Para esse fim, introduzo a distinção entre mudança e metamorfose, ou, mais precisamente, entre mudança na sociedade e metamorfose do mundo. Mudança na sociedade, mudança social, rotiniza um conceito essencial da sociologia. Todos sabem o que isso significa. A mudança põe em foco um futuro característico da modernidade, a saber, a transformação permanente, enquanto os conceitos básicos e as certezas que os sustentam permanecem constantes. A metamorfose, em contraposição, desestabiliza essas certezas da sociedade moderna. Ela desloca o foco para ‘estar no mundo’ e ‘ver o mundo’, para eventos e processos não intencionais, que em geral passam despercebidos, que prevalecem além dos domínios da política e da democracia como efeitos colaterais da modernização técnica e econômica radical. Eles provocam um choque fundamental, uma alteração que rompe as constantes antropológicas de nossa existência e de nossas compreensões anteriores do mundo. Metamorfose nesse sentido significa simplesmente que o que foi impensável ontem é real e possível hoje.”

Livro: A metamorfose do mundo – Novos conceitos para uma nova realidade

Organização: Ulrich Beck
Editora: Zahar
Páginas: 280
Ano: 2018


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