Bexiga Hiperativa: problema comum e pouco conhecido

Você conhece alguém que tem vontade incontrolável de fazer xixi e vai ao banheiro muitas vezes ao dia? Ou que acorda durante a noite para urinar? Se esta pessoa não tem infecção urinária e outras doenças, ela pode estar com sintomas de Bexiga Hiperativa (BH).

Este é um problema que incomoda cerca de 17% da população adulta brasileira, sendo que na mulher a prevalência pode chegar a 50%, aumentando com a idade e atingindo até 80% das idosas. O que muitos não sabem é que a BH é tratável, em alguns casos, com medidas simples que podem melhorar até 75% dos casos. O mais importante é ter informação.

Pesquisadores do Departamento de Fisioterapia e Programa de Pós-Graduação de Fisioterapia na Saúde da Mulher, da PUC Minas, desenvolvem há dois anos um projeto para tratar pacientes com BH. São atendidas no ambulatório da universidade pessoas com urgência miccional (vontade forte para urinar), grande frequência para urinar durante o dia ou noctúria (acordar a noite para urinar), sintomas que muitas vezes vêm associados à perda urinária.

A incidência da BH é maior em mulheres do que em homens, devido ao histórico clínico de partos vaginais, prolapso pélvico, obesidade, menopausa, diferenças anatômicas e pelo avanço da idade. De acordo com a coordenadora do projeto, professora Silvia Elizate Monteiro, há poucos centros de referência na rede pública que fazem atendimento específico de saúde da mulher, por isso, o grupo da PUC decidiu investir em pesquisa e atendimento na área.

“As pessoas têm sintomas que impactam muito na qualidade de vida. Às vezes não sabem que têm Bexiga Hiperativa. Por falta de informação, vergonha e acreditando que os sintomas da BH são normais ou fazem parte do envelhecimento, muitas pessoas sofrem por anos antes de procurar tratamento. Quando entrei no doutorado e comecei a fazer uma revisão sistemática da literatura, vi que havia poucos estudos sobre treinamento de assoalho pélvico para urgência miccional. Além disso, há poucos ensaios clínicos que avaliam o problema”, explica.

Assoalho pélvico: ​musculatura responsável por sustentar os órgãos da região pélvica e controlar funções importantes, como a micção e a evacuação ou a continência de urina e fezes.

Pesquisa científica e tratamento

Conforme explicou a professora Silvia Elizate Monteiro, a Sociedade Internacional de Continência (ICS) e as diretrizes de várias Associações Internacionais de Urologia preconizam que o tratamento de primeira linha para os sintomas da BH devam envolver intervenções comportamentais como: Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico (TMAP) e as modificações de estilo de vida.

Os pesquisadores da PUC dividiram as pesquisas sobre a BH em três etapas: consultas bibliográficas, validação de um questionário de qualidade de vida e ensaios clínicos.

Na primeira fase, avaliaram a eficácia TMAP e concluíram que, apesar do treino ser considerado essencial para redução dos sintomas da BH, a grande maioria dos protocolos são heterogêneos. Sendo assim, variam em relação ao modo de entrega, intensidade, duração e técnicas utilizadas, o que dificulta a comparação dos resultados e a maior segurança da eficácia.

Na segunda fase, os cientistas organizaram o questionário avaliar o impacto dos sintomas da BH na vida dos indivíduos. A lista traz perguntas sobre sono, interação social, preocupação e enfrentamento dos sintomas.

Por fim, iniciaram a fase de ensaios clínicos que está disponibilizando tratamento para mulheres com sintomas de BH na própria PUC (veja abaixo como procurar este atendimento). Segundo Silvia Elizate Monteiro, a ideia é tentar alavancar a conscientização da população em geral e chamar atenção para sintomas que precisam ser investigados.

Os ensaios clínicos englobam dois grupos de pacientes submetidos a tratamentos diferentes, que envolvem sessões de fisioterapia na clínica da PUC Minas e exercícios domiciliares. Com os testes, os pesquisadores pretendem comparar os dois grupos em quantidade de sintomas, frequência urinária, perda de xixi, enfrentamento do problema e interação social, força e tônus da região pélvica, entre outros itens. 

Como procurar ajuda?

Para ter mais segurança no diagnóstico é sugerido que a pessoa procure seu médico de referência para um diagnóstico clínico e para descartar outras doenças, como infecção urinária, por exemplo. Quem quiser receber tratamento na PUC precisa participar de entrevista, que deve ser agendada pelo telefone (31) 99400-7199 (WhatsApp) ou pelo e-mail bhiperativa@gmail.com.

O tratamento tem duração de 12 semanas. Os atendimentos são feitos no campus Coração Eucarístico, na Clínica de Fisioterapia localizada na Avenida 31 de Março, 955, Bairro Coração Eucarístico, 1º andar do prédio 46.

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Luana Cruz

Doutoranda e mestre em Estudos de Linguagens pelo Cefet-MG. Jornalista graduada pela PUC Minas. É professora em cursos de graduação e pós-graduação na Newton Paiva, PUC Minas, UniBH e ESP-MG. Escreve para os sites Minas Faz Ciência e gerencia conteúdo nas redes sociais, além de colaborar com a revista Minas Faz Ciência.

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