Metodologia para identificar imagens de esculturas sacras

Buscadores e recursos de detecção de imagens ampliam a documentação e a distribuição de fotografias. Mas como representar, documentar e encontrar imagens de modo eficiente? Como manter um compromisso histórico, com os elementos conceituais e com o contexto relacionado à fotografia?

Em dissertação defendida em janeiro de 2019, Adriana Aparecida Lemos Torres propõe uma metodologia para identificar fotografias de esculturas de arte sacra. A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Gestão e Organização do Conhecimento da Escola de Ciência da Informação da UFMG.

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Recuperação de imagens

Quando uma fotografia de escultura religiosa é postada na internet, como ela pode ser recuperada? Diferentes padrões de busca são formados. Enquanto um devoto geralmente procura pelo nome de santo, por termos religiosos e por questões mais interpretativas, um historiador de arte pode fazer uma busca pelo autor da escultura ou pelo estilo artístico.

Para representar a imagem de forma abrangente, a resposta da pesquisa foi propor uma metodologia que abarcasse todas essas questões. “Um modelo que pudesse ser adaptado a contextos diversos seria um que buscasse categorias que representassem tanto os aspectos descritivos da fotografia (o autor, datas, a resolução etc), como representar o conteúdo dessa imagem, que é o grande desafio da Ciência da Informação”, afirma Torres.

Caminhos metodológicos

Primeiro, a pesquisa partiu em uma busca pelos atributos da fotografia. Depois, pelos atributos da escultura. O desafio era representar esses dois documentos iconográficos. Para isso, foram analisadas diferentes fichas catalográficas já existentes: de inventários de igreja, de centros de restauração, de museus, de exposições de arte e repositórios virtuais, de sites de instituições e de bibliotecas.

No cerne do estudo, foi realizada uma busca pelas principais metodologias de representação de imagem. Foram selecionadas algumas, com mais afinidade com o objeto de pesquisa. Da comparação de diferentes elementos e propostas, foi desenvolvida uma metodologia própria para identificar fotografias de esculturas de arte sacra.

A metodologia inclui categorias descritivas da fotografia e da escultura, com perguntas basilares de “o quê”, “onde”, “quando” e “como”. Prevê também características técnicas da fotografia, como o plano, o ângulo e iluminação. E, pensando na escultura como um valor cultural, inserida em um contexto histórico, inclui aspectos interpretativos. “No contexto católico, a escultura tem um valor próprio, como obra de arte, mas também simbólico, como objeto de devoção”, explica Torres.

Aplicações

A proposta da pesquisadora ganhou forma e pode ser aplicada a partir de uma ficha catalográfica. Hoje, já existe a proposta da primeira aplicação dessa metodologia no acervo de um historiador de arte. “A pesquisa pode ajudar a despertar nas pessoas o conhecimento histórico, devocional, artístico e também uma chamada para a necessidade de preservação desse patrimônio e de compartilhar essas informações”, diz a doutoranda da UFMG.

Adriana Torres também verificou se a metodologia, que trabalha com elementos conceituais, tem lugar ao lado de tecnologias como a busca por conteúdo. A recuperação por conceito trabalha com elementos descritivos e interpretativos. “É um tipo de representação que é mais lenta, mais cara e depende de especialistas, mas é mais assertiva em alguns aspectos”, explica a pesquisadora.

Já a recuperação por conteúdo é muito desenvolvida nas áreas de Ciência da Computação e de Sistemas de Informação. A busca imagem-imagem é feita pelo Google e por outras ferramentas de busca, que trabalham com o reconhecimento por elementos visuais. “Esse tipo de recuperação é importante, mas sozinha não dá conta de elementos simbólicos e culturais. Os sistemas têm melhorado, mas o campo ainda é insipiente”, afirma.

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