O ataque de fungos e insetos presentes no solo pode prejudicar o desenvolvimento das plantações e influenciar negativamente a produtividade das lavouras. Mas, nas rotinas de controle de pragas e doenças em plantações, o uso excessivo de agrotóxicos traz prejuízos à saúde e também problemas ambientais, como mudanças no ecossistema.

Por isso, é importante desenvolver pesquisas em busca de métodos alternativos, que visam à sustentabilidade e tenham em vista a segurança alimentar.

Controle biológico em substituição aos agrotóxicos

De acordo com Alinne Brandão Andalécio Camargos Braga, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o controle biológico é uma das alternativas mais interessantes, dentre as desenvolvidas nas últimas décadas, para reduzir o uso de produtos químicos na agricultura.

Fitopatógenos são microrganismos que causam doenças nas plantas por meio de distúrbio no metabolismo celular. Essas doenças diminuem o transporte de nutrientes desde a raiz até as folhas, fazendo com que as plantas fiquem fracas e não cresçam normalmente, afetando drasticamente na qualidade e produtividade das lavouras.

Este tipo de técnica é benéfica tanto pela sustentabilidade ambiental, quanto pela eficiência dos microrganismos em campo.

O fungo Trichoderma spp. é a espécie mais utilizada no mundo para controle de fitopatógenos na agricultura.

Diversos produtos à base de Trichoderma spp. são, inclusive, utilizados na agricultura orgânica.

Diante deste contexto, Alinne Braga dedicou-se, durante seu mestrado, a aprofundar conhecimentos sobre a microencapsulação de agentes biológicos.

Esta técnica tem sido apontada como uma alternativa valiosa para produzir bioformulações eficazes na agricultura, que garantam, principalmente, maior vida de prateleira e estabilidade dos produtos.

Microencapsulação

A técnica estudada por Alinne consiste na microencapsulação por spray drying, que já foi pesquisada por outros autores.

O processo de microencapsulação é capaz de fornecer uma barreira física entre os conídios e outros componentes do meio externo, tais como umidade, oxigênio e calor, que afetam a estabilidade do produto ao longo do tempo.

A microencapsulação consiste em um processo no qual se pode fornecer uma barreira física entre o material do núcleo e os outros componentes do produto ou do meio externo, tais como umidade, oxigênio e calor.

Esta técnica pode ser aplicada em diferentes materiais, como por exemplo, produtos fármacos, compostos alimentícios e microrganismos em geral.

Segundo Alinne, “para realizar a técnica de microencapsulação por spray drying, é preciso que se tenha um equipamento chamado Spray Dryer. Este equipamento é amplamente utilizado na indústria alimentícia e química para obtenção de produtos em pó, como leite em pó, whey protein, leveduras, etc”.

A técnica é altamente viável porque fungicidas microbiológicos apresentam alto valor agregado.

Além disso, a secagem por spray drying é menos agressiva aos microrganismos que outros métodos tradicionais de secagem, o que favorece a vida de prateleira do produto, consequentemente, aumenta a viabilidade econômica do processo.

Os resultados de viabilidade microbiológica obtidos neste estudo mostraram que os conídios microencapsulados apresentam vida de prateleira muito superior, o que contribui para a comercialização e aplicação dos produtos em campo.

A pesquisa de Alinne foi orientada pelo professor Eloízio Júlio Ribeiro e pelas professoras Líbia Diniz Santos e Marta Fernanda Zotarelli.

Perspectivas para o futuro

No mundo todo, já existem diversas empresas produtoras de fungicidas e inseticidas microbiológicos.

“Cada microrganismo apresenta suas particularidades, assim, cada produto deve ser avaliado individualmente, o que exigi investimento financeiro e tempo, sendo necessários laboratórios de pesquisa preparados para estas investigações”, defende Alinne, em relação a perspectivas de estudos futuros.

Ela aponta que o mercado de produtos biológicos está crescendo muito nos últimos anos: “Acredito que as empresas vão começar a estudar mais estas ferramentas para aumento da vida de prateleira dos produtos”.

Mesmo assim, ainda existem poucos trabalhos investigando a microencapsulação de fungos do gênero Trichoderma spp. na literatura, segundo a pesquisadora.

Imagem meramente ilustrativa via Pixabay

Chega de agrotóxicos!?

Segundo a pesquisadora, há casos em que é possível substituir totalmente o uso de agrotóxicos por essas técnicas alternativas. Mas isto depende de cada caso.

“Existem solos muito contaminados e lavouras mais difíceis de serem tratadas. Dessa forma, cada caso deve ser avaliado separadamente, não se pode generalizar”.

Alinne explica que, muitas vezes, o que se faz é uma integração de produtos biológicos e químicos, para garantir que as pragas sejam contidas.

“O custo de uma lavoura é altíssimo e os produtores têm muito medo de doenças nas plantas, já que isso afeta drasticamente a lucratividade. A utilização de alternativas biológicas em associação aos agrotóxicos químicos já contribui muito para a redução da toxicidade, beneficiando o meio ambiente e saúde dos seres humanos”.

Com informações da Diretoria de Comunicação Social da UFU.