O que vem à mente quando se pensa em água?

Provavelmente, palavras como saúde, lazer, vida. Mas água também está relacionada a doenças que constituem problema de saúde pública.

Um exemplo é a dengue – seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, coloca seus ovos na água limpa, o que transformou qualquer tipo de poça e reservatório em motivo de atenção.

“Hoje, a dengue é nosso maior problema de saúde pública, e ainda o será por muitos anos”, diz o professor Mauro Martins Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Teixeira foi um dos palestrantes do simpósio “Água na mineração, agricultura e saúde: o que a ciência tem a dizer a partir de Minas Gerais”, realizado ontem (19), na UFMG.

Representando o eixo “saúde”, sua apresentação teve como foco o problema das arboviroses (doenças transmitidas por artrópodes). A classificação inclui, entre outras, a dengue, a zika e a febre amarela.

Foto: AusAID

Também coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Dengue, o professor chamou atenção para os números da dengue: mais de um milhão de casos relatados por ano no Brasil.

Se considerarmos os casos não relatados, o número pode chegar a quase cinco milhões. Em Belo Horizonte, uma grande epidemia é registrada a cada três anos e, na última, de 50% a 60% da população foi infectada.

Mas o que a ciência pode fazer para ajudar?

Teixeira diz que é difícil escolher prioridades ao lidar com doenças humanas, mas, no caso da dengue, ele destacaria três pontos. Um deles é o investimento em vacinas e terapias. “Já existe uma vacina para dengue, mas pouco eficaz. E, para chegar à população, apesar da ansiedade geral, ainda serão necessários de cinco a dez anos”, conta.

Ele também acredita ser necessário mais estudos para o controle do mosquito, além do teste em escala maior de tecnologias já disponíveis, como o mosquito transgênico e a wolbachia, um tipo de bactéria que infecta artrópodes

Leia aqui reportagem publicada na revista Minas Faz Ciência sobre trabalho de controle do Aedes a partir da wolbachia.

Por fim, Teixeira acredita que a ciência deveria apostar em melhorias no fluxo de atendimento e no cuidado com as pessoas, pois isso tem impacto na gravidade da doença.

Ele cita outra ação necessária que não depende exclusivamente da ciência, e envolve também gestores públicos e a própria população: repensar o nosso ambiente urbano.

Escute trecho da entrevista no qual o pesquisador alerta sobre a necessidade de considerar a engenharia das cidades para o combate ao mosquito da dengue: