Eu e minhas lentes azuis

Quando criança meus pequenos amigos ou familiares para me tirar dos meus pensamentos distraídos gostavam de dizer: “Hoje você está muito autista”, “Vai ficar dando uma de autista é?”. Naquele tempo, há quase 20 anos eu achava que autismo era doença contagiosa ou psicológica.

Depois de um tempo é que descobri que não era nada do que eu imaginava

Desde que entrevistei o pesquisador da Universidade da Califórnia, Alysson Muotri que está em busca de um remédio que reverta o funcionamento dos neurôneos dos autistas, para o funcionamento de um cérebro saudável, me senti impelida a buscar compreender a doença e os transtornos do espectro, principalmente por que escolhi fazer uma matéria para disciplina de jornalismo científico sobre o assunto.

Há um ano ganhei um filme chamado Mary and Max – uma amizade diferente. Na ocasião assisti e achei o filme muito lindo. No último sábado resolvi assistir novamente (tenho mania de ver o mesmo filme várias vezes) e percebi que Max tinha comportamentos estranhos, de inicio julguei ser devido um trauma de infância, mas ao longo do filme me foi revelado que ele tinha síndrome de asperger, um dos espectros autistas.

Max tinha dificuldades de fazer amizades, não sabia distinguir as expressões humanas, tinha comportamentos repetitivos e era compreendia tudo literalmente. Sua amizade à distância com a pequena Mary foi um verdadeiro tratamento, não a cura, para suas dificuldades, mesmo mantendo uma amizade a distância: um nos Estados Unidos e outro na Austrália.

Entrar em contato com a história de Max me fez perceber que precisava lançar um novo olhar sobre o autismo e todos os estudos científicos que o cercam. Nas minhas pesquisas descobri que a ONU definiu que 2 de abril é o dia mundial da conscientização do autismo e que para representar a síndrome foi escolhida a cor azul, parece-me que todos os países iluminam monumentos ou locais importantes com a cor para que todos se lembrem do que simboliza este dia.

Aprendi coisas novas a partir do momento que coloquei lentes azuis para enxergar o mundo e as necessidades dos familiares e indivíduos com autismo. A pesquisa do cientista Alysson Muotri traz a esperança de que em 10 ou 15 anos pais poderão ver sorrisos e olhares diferentes nos seus filhos, dar e receber carinho de quem nunca soube o que isso significa por que vivia em um mundo diferente, de gestos repetitivos, mas para o autista, muito significativos.

Ps: Se você for curioso como eu e quiser saber mais sobre o autismo recomendo o Blog Espiral do Alysson Muotri.

Compartilhe nas redes sociais
0Shares
Tags: ,

2 comentários em “Eu e minhas lentes azuis

    • 24 de setembro de 2011 em 15:58
      Permalink

      Prezado Paiva,

      Obrigada pela colaboração, vou corrigir a data.
      Já acessei a página da revista e li alguns textos, muito boa por sinal!
      Volte sempre ao nosso Blog!

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *