Você cuida bem da saúde do seu bichinho de estimação? É importante que você saiba tudo sobre uma doença muito comum na Grande BH, que atinge cães e pode ser prevenida com alguns cuidados domésticos. Estamos falando da leishmaniose visceral, causada por um protozoário que é transmitido pelo mosquito-palha, mas tem os cachorros como hospedeiros.

Foto: Jonathan Kriz/ Flickr
Foto: Jonathan Kriz/ Flickr

Funciona assim: a fêmea do mosquito pica um cachorro que tem o parasito, depois quando morde outro cão, acaba transmitindo o protozoário. Pode acontecer de o mosquito picar seres humanos, que também ficam doentes com leishmaniose visceral.

Nas pessoas, esta doença é grave e caracterizada por febre de longa duração, aumento do fígado e baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia e outras manifestações. Existe tratamento para os humanos. Ele é gratuito, está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e baseia-se na utilização de remédios.

Nos cães e até mesmo em gatos, a leishmaniose pode ser silenciosa ou prejudicar muito a saúde dos bichinhos. “O protozoário ataca as vísceras do animal. Pode acontecer queda de pelos, doenças na pele, crescimento das unhas, inchaço no abdômen”, explica a médica veterinária Viviana Feliciana Xavier, do Centro de Estudos em Clínica e Cirurgia de Animais (Cecca) da PUC Minas.

A seguir, aprenda sobre como prevenir esta doença…

Campanha

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a leishmaniose visceral voltou a crescer no estado depois de 2013. Até este período, a doença vinha registrando quedas, por isso nunca é demais falar sobre prevenção.

Foto: Can Mustafa Ozdemir/ Flickr
Foto: Can Mustafa Ozdemir/ Flickr

Pensando nisso, o Cecca da PUC Minas realiza ações de conscientização durante a campanha Agosto Verde: mês de prevenção à Leishmaniose. Veterinários da universidade vão apresentar para a comunidade ações que busquem a redução da doença em nosso estado.

Durante o mês, todos os visitantes do Cecca receberão informações sobre cuidado e prevenção à leishmaniose, entre das 18h às 22h.  A clínica fica na Rua do Rosário, 1600, no Bairro Angola, em Betim, na Grande BH.

Os donos de cães que passarem por lá vão receber cartilhas e explicações sobre a doença. Haverá também palestras em que toda comunidade poderá tirar dúvidas, além de levar os animais para teste rápido de diagnóstico.

“Percebemos o grande número de casos nos animais que vêm na clínica. Vimos que faltava informação tanto por parte dos donos, quanto dos nossos alunos da universidade que atendem à comunidade. Aqui em Betim, por exemplo, há muitas áreas rurais. Com o desmatamento, os cães migraram para a cidade e as doenças se aproximaram de nós. A falta de informação ajuda a perpetuar a doença”, explica Viviana Xavier.

Prevenção

O mosquito transmissor da leishmaniose se desenvolve em locais úmidos, ricos em sombra e matéria orgânica. Ou seja, áreas que juntam restos de folhas, árvores, fezes de animais (como galinha e dos próprios cães), lixo e entulho. O mosquito adulto adora viver nas casas de cachorro do quintal e nos galinheiros. Dessa forma, é possível evitar a presença do mosquito mantendo quintais limpos e conservados.

Foto: Helgi Halldórsson/ Flickr
Foto: Helgi Halldórsson/ Flickr

“Na Grande BH, existe uma quantidade grande de flebotomíneos. Este mosquito não seria um vilão se nenhum animal tivesse leishmania. A fêmea do mosquito pega a doença de algum hospedeiro e acaba espalhando ao picar outros animais”, explica a médica veterinária.

Por isso é importante saber se o seu bicho de estimação tem a doença, pois ele pode estar ajudando a perpetuar o clico da leishmaniose. Talvez ele nem fique debilitado com a doença, mas serve como uma “isca”. Se um mosquito pica seu cachorrinho doente, leva o protozoário para frente.

É importante que você seja um multiplicador de informações sobre a leishmaniose. Cães que tenham o protozoário precisam ser acompanhados por veterinários. Esses profissionais saberão dar a melhor indicação para cada caso da doença.

Foto: Barney Moss/Flickr
Foto: Barney Moss/Flickr

Dia D… aprender!

 Sábado (18/08), de 9h às 13h

Dia D na PUC Minas Betim: os donos de animais assistirão a palestras educativas. Os cães poderão realizar teste rápido de diagnóstico da doença. Serão liberadas senhas para a coleta do sangue dos bichinhos. Se estiver doente, o animal vai ser acompanhado.

Sábado (26/08), de 9h às 13h

Dia D na PUC Minas Praça da Liberdade: proprietários de cachorros serão informados quanto às diversas formas de controle e prevenção da doença, bem como os animais receberão brindes.

Fique ligado!

A)Flebotomíneo é o nome cientifico dos mosquitos que transmitem a leishmaniose. Eles têm hábitos noturnos e gostam de atacar depois que o sol se põe. É justamente um horário em que muitos soltam os cães no quintal ou levam para passear na rua. Os flebotomíneos voam baixinho, cerca de um metro do chão. Por isso, picam muitos os cães, gatos e outros animais, além de crianças e idosos que ficam muito sentados.

B) Existem repelentes para uso em cães e gatos que evitam a picada do mosquito. Alguns são líquidos aplicados no corpo do animal e há também coleiras repelentes. Existe vacina para a leishmaniose, que é paga.

Sobre o(a) autor(a)

Luana Cruz

Luana Cruz

Jornalista, professora e pesquisadora. É mãe dos gêmeos Martin e Heitor.
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