SBPC premia jovens cientistas por pesquisas de iniciação científica

Entre as ganhadoras está Juliana Davoglio Estradioto, uma das 10 personagens retratadas no segundo volume do nosso e-book Mulher faz Ciência

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) reconheceu jovens cientistas com o Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, que nesta edição premia a categoria “Meninas na Ciência”, cujas pesquisas de iniciação científica demonstraram criatividade, boa aplicação do método científico e potencial de contribuição com a ciência no futuro. Entre as ganhadoras está Juliana Davoglio Estradioto, formada no curso técnico em Administração do Instituto Federal do Rio Grande (IFRS), que venceu no nível de Ensino Médio. Ela desenvolveu um plástico biodegradável a partir da casca do maracujá.

juliana estradioto
Atualmente, Juliana estuda na Northwestern University, nos Estados Unidos. Foto: Divulgação Linkedin

A gaúcha Juliana foi uma das 10 personagens retratadas no segundo volume do e-book Mulher faz Ciência. Na zona rural de Osório, onde sua mãe trabalha como professora de português, Juliana desenvolveu um projeto voltado para pequenos agricultores, em que atuava como voluntária. “Quando fazia as visitas, percebi o quanto eles geravam de lixo depois do processamento dos frutos e aquilo me incomodou muito”, conta. Ela propôs, então, o uso da casca do maracujá para produzir filme plástico biodegradável. O novo produto passou a ser usado em substituição às embalagens plásticas usadas para envolver as mudas no plantio.

A jovem usou a semente do maracujá para remover corantes de efluentes da indústria têxtil, através de um processo chamado de adsorção. “A semente suga as moléculas do corante para dentro dela, só que não incha. O corante fica dentro dos buraquinhos que existem no material. Isso faz com que ele saia da água”, explica. O percentual de remoção das tintas chegou a 99%, com a coleta diretamente na indústria. Os trabalhos foram orientados pela professora Flávia Santos Twardowski Pinto.

Em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo, Juliana também propôs uma alternativa para aproveitar os resíduos do processamento da macadâmia. Depois de transformar a casca da noz em farinha, ela criou um meio de cultivo biológico para a formação de uma membrana, que pode ser usada como matéria-prima biodegradável para a fabricação de curativos ou de embalagens para a coleta de fezes de animais, por exemplo, como alternativa ao plástico. Quanto à possibilidade de implantação das tecnologias em larga escala, a cientista afirma que precisa fazer testes em laboratórios com melhor infraestrutura. “Eu comecei fazendo pesquisa num laboratório de panificação, tudo sempre foi muito improvisado”, diz. Ainda assim, ela conseguiu despertar sua vocação. “Não consigo imaginar um futuro em que eu não seja uma pesquisadora”, prevê.

Atualmente, Juliana estuda na Northwestern University, nos Estados Unidos.

Outras premiações

Também venceu a 2ª edição do Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, a estudante de graduação, Raquel Soares Bandeira, graduanda de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela foi escolhida pelo trabalho sobre “Eficácia terapêutica de uma naftoquinoma contra a leishmaniose”. Outras cientistas receberão menção honrosa.

A cerimônia de premiação, que esse ano será virtual por conta da pandemia do novo coronavírus, será realizada no dia 11 de fevereiro, com transmissão pelo canal da SBPC no YouTube, às 10h30. A data do evento foi escolhida em celebração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Unesco. Aqui em nosso site, neste mesmo dia, você poderá conferir o lançamento no terceiro volume do e-book Mulher faz Ciência, novamente, produzido e organizado pela jornalista Alessandra Ribeiro.

O prêmio

Criado em 2019, o Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” é uma homenagem da SBPC às cientistas brasileiras destacadas e às futuras cientistas brasileiras de notório talento, que leva o nome de sua primeira presidente mulher, Carolina Martuscelli Bori. A SBPC – que já teve três mulheres presidentes e hoje a maioria da diretoria é feminina – criou essa premiação por acreditar que homenagear as cientistas brasileiras e incentivar as meninas a se interessarem por este universo é uma ação marcante de sua trajetória histórica, na qual tantas mulheres foram protagonistas do trabalho e de anos de lutas e sucesso da maior sociedade científica do País e da América do Sul.

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