Produção de vinhos da EPAMIG ganha mais um prêmio

Vinho Syrah ganhou medalha de ouro no Brazil Wine Challenge 2020, que recebeu 774 amostras de vinícolas de 16 países

Vinho Syrah / Divulgação EPAMIG

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) conquistou mais uma premiação para sua produção de vinhos. O vinho Syrah, de marca própria da EPAMIG, recebeu a medalha de ouro no Brazil Wine Challenge 2020.

O concurso, com a chancela da Organização Internacional do Vinho e da Vinha (OIV) e da União Internacional de Enólogos (UIOE), foi realizado entre os dias 13 e 15 de outubro, em Bento Gonçalves (RS), e os resultados foram divulgados em 16 de outubro.

A 10a. edição do evento recebeu 774 amostras enviadas por vinícolas de 16 países diferentes. A avaliação dos vinhos foi feita em provas às cegas, de acordo com as normas internacionais, por uma comissão composta por 57 degustadores vindos de diferentes regiões do Brasil, da Bolívia, do Chile, da França e da Itália.

Produção de vinhos de qualidade

Esta foi a primeira participação da EPAMIG em concursos de qualidade. Para a enóloga Isabela Peregrino, responsável técnica pelo produto, o diferencial em relação às premiações anteriores está no fato de que a premiação é fruto de um processo 100% realizado pela EPAMIG.

“O prêmio foi para um vinho institucional da EPAMIG, com uvas cultivadas pela empresa em regime de dupla poda, sendo também o vinho elaborado na vinícola da EPAMIG”, detalha.

Segundo Isabela Peregrino, a ideia da inscrição surgiu em decorrência do potencial verificado no vinho, que apresenta coloração muito boa, vermelho rubi com boa profundidade, límpido e brilhante.

“É um vinho aromático, frutado, mas também com notas de especiarias e leve couro. Na boca, é um vinho macio, com boa estrutura, taninos maduros, acidez agradável, bom corpo e potencial para envelhecimento”, avalia a enóloga.

Ela explica que o que mais agrega à qualidade dos vinhos de inverno elaborados com a Syrah é o manejo em dupla poda e, não necessariamente, ao terroir.

Sobre o processo, a enóloga detalha: “O manejo de dupla poda consiste em duas podas anuais e colheita apenas no inverno. A videira sofre a primeira poda ao final do inverno (assim como no ciclo tradicional), contudo, as inflorescências são eliminadas para que não haja produção de cachos nessa fase. Com isso, a planta concentra sua energia na formação dos ramos e armazenamento de reservas. Entre os meses de janeiro e fevereiro, a planta sofre, então, uma segunda poda e as inflorescências  e cachos nessa fase são mantidos, amadurecem e são colhidos nos meses do inverno”. 

Produção de vinhos no Brasil

Isabela Peregrino explica que o período tradicional de colheita no verão é muito ruim no Sudeste, em função da grande quantidade de chuvas, o que atrapalha a maturação da uva e traz muitas doenças aos cachos.

No inverno, as condições climáticas são ideais para a maturação de uvas com qualidade: clima seco, dias ensolarados e noites frias.

“Essas características fazem com que a uva tenha mais açúcar, boa acidez, menos problemas com doenças e altas concentrações de taninos e antocianinas, os compostos que trazem estrutura e cor aos vinhos”.

Vinhedo Syrah da EPAMIG / Divulgação
Vinhedo Syrah da EPAMIG / Divulgação

Desafios e avanços na produção de vinhos em Minas Gerais

O custo elevado de produção, a alta carga tributária do vinho, e a dificuldade em encontrar mão de obra especializada, bem como a falta de mudas de videira para implantação de novos parreirais são alguns dos desafios listados por Isabela Peregrino para quem quer investir na produção de vinhos em Minas Gerais.

Para Renata Vieira da Mota, pesquisadora do Núcleo Tecnológico EPAMIG Uva e Vinho, o investimento em pesquisas foi fundamental para comprovar a viabilidade da produção de vinhos finos com qualidade no Estado. Também em relação ao vinho comum, pesquisas permitiram obter aumento de produtividade da principal variedade cultivada na região.

“Agora estamos trabalhando para aumentar a disponibilidade de rótulos de vinhos finos e estabelecer a caracterização regional dos vinhos de inverno. Os resultados obtidos até o momento têm comprovado o potencial do Estado no setor vitivinícola e atraído investimentos na ampliação dos vinhedos, construção de vinícolas e incentivado o turismo enogastronômico”, destaca a pesquisadora.

Retorno de investimentos na produção de vinhos

Segundo ela, o avanço no conhecimento e desenvolvimento de tecnologias retorna em ganhos econômicos, sociais e ambientais à sociedade devido aos impactos em diversos segmentos da produção rural e agroindustrial.

“Podemos citar desde incrementos de produtividade (maior ganho por área e investimento); expansão da área de produção (como o observado na produção de vinhos finos e azeite em Minas Gerais); redução do custo de produção (redução de perdas na pós-colheita, adoção de tecnologia no processo produtivo); agregação de valor (produtos enriquecidos com compostos benéficos à saúde, elaboração de novos produtos)”, detalha.

Além disso, os efeitos da adoção das tecnologias não se restringem ao campo, já que atingem toda a cadeia produtiva, dos insumos à comercialização, contribuindo para a geração de empregos, aumento de renda e também na preservação ambiental.

É possível por exemplo, aumentar a produtividade sem expansão da área agrícola, o número de rótulos de produtos biológicos para o controle de pragas e doenças, além de investir em paisagismo na atração do turismo, conscientização social e ambiental como forma de fidelizar o consumidor.

“No balanço social da EMBRAPA divulgado este ano, é demonstrado que para cada R$ 1,00 investido em 2019, o retorno foi de R$ 12,29 para a sociedade. Nas empresas estaduais de pesquisa, como a EPAMIG, o retorno é semelhante, como o divulgado no Balanço Social da Empresa em 2019. É um investimento que resulta em ganhos diretos para a sociedade e contribui para o desenvolvimento do país”, conclui a pesquisadora.

Histórico da produção de vinhos da EPAMIG

O vinhedo institucional da EPAMIG foi implantado em 2010 no Campo Experimental de São de Sebastião do Paraíso.

“A altitude de 900m permite a condução do parreiral sob o manejo de dupla poda. Algo que não conseguiríamos no Campo Experimental de Caldas que está localizado a 1150m e tem como característica o inverno rigoroso demais”, explica Isabela, acrescentando que a produção das mudas e o processamento das uvas acontecem na vinícola Experimental da Empresa em Caldas.

O vinho premiado é da safra de 2018, com colheita das uvas e elaboração no segundo semestre daquele ano. “Os tratos culturais do vinhedo foram conduzidos de acordo com manejo comercial em dupla poda, sendo uma poda de formação de ramos em agosto de 2017 e uma poda de frutificação em janeiro de 2018, e colheita manual”, destaca Isabela.

Características do vinho premiado

Para a enóloga Isabela Peregrino, responsável técnica pelo produto, a premiação evidencia a qualidade do vinho e faz com que a procura por ele aumente bastante. “A produção do vinho Syrah é pequena, por isso, a venda ocorre apenas nos empórios da EPAMIG”.

Em relação a esse vinho, especificamente, não há meta de ampliação de produção no momento. Mas o produto foi engarrafado no segundo semestre de 2019 e já vem sendo comercializado nos Empórios EPAMIG em Belo Horizonte e Juiz Fora e no Campo Experimental da EPAMIG em Caldas.

Para mais informações entre em contato com a Assessoria de Negócios Agropecuários pelo telefone: (31) 99564-0855.

Com informações da Assessoria de Imprensa da EPAMIG.

Verônica Soares

Jornalista de ciências, professora de comunicação, pesquisadora da divulgação científica.

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