Da arte de organizar

Expert em curadoria, Jens Hoffman elenca verbetes fundamentais aos interessados em transmitir significado à reunião de obras de arte e outras narrativas

Ciência na Estante

O excesso de informações a que todos estamos sujeitos torna ainda mais relevante o papel de profissionais capazes de reunir, organizar e dar sentido a fragmentos de discursos sociais, históricos, políticos, econômicos etc.

No território das artes, tal complexa – e fascinante – tarefa fica a cargo dos curadores, que, munidos de saber e criatividade, elaboram eventos e processos capazes de ampliar o diálogo entre os artistas e suas(s) audiências(s).

Mestre no ofício, o costa-riquenho Jens Hoffman, diretor de exposições e programas públicos do Jewish Museum, além de curador-chefe da galeria Susanne Feld Hilberry, no Museum of Contemporany Art Detroit, investiu em algo seminal aos interessados.

Trata-se do livro (Curadoria) de A a Z, no qual o autor elenca e disseca 26 termos fundamentais ao exercício das práticas curatoriais, como forma de, ao mesmo tempo, orientar futuros profissionais e debater nuances, éticas e estéticas do ofício.

Dispostos em ordem alfabética, os verbetes podem extrapolar a seara da arte, caso lidos como “metáforas” para outras dimensões da curatela na atualidade – da mediação jornalística à ampliação do diálogo das organizações.

Dentre as palavras escolhidas por Hoffman, estão “arte”, “bienal”, “curador”, “instalação”, “jornada”, “narcisismo”, “qualidade”, “retrospectiva”, “visão”, “xerox” e “youth” “sZeeman”.

Trecho

“O fato conveniente de a palavra ‘arte’ começar com a letra ‘A’ me permite abordar de saída aquele que parece ser o termo mais difícil de discutir e que estrutura a base do restante deste livro. As artes plásticas foram definidas tradicionalmente como pintura e escultura. Hoje em dia, às vezes se diz que tudo pode ser arte e que a arte pode ser tudo. À medida que essa afirmação vai se tornando lugar-comum, fica cada vez mais complexo definir exatamente o que essa palavra de quatro letras significa. O escopo da arte é gigantesco, e se torna ainda mais vasto cada dia que passa. Desde os seus primórdios, na época das pinturas rupestres, há mais de 30 mil anos, a arte tem desafiado qualquer definição ou significado preconcebido e suas sempre instáveis fronteiras continuaram a se deteriorar ao longo do tempo. Atualmente, as mais variadas formas – de um jantar festivo a uma venda de garagem – são definidas como arte, em uma gama de suportes que não para de se expandir. Esses novos formatos sociais se encaixam facilmente na noção de arte, ao lado da pintura e da escultura.”

O livro

Livro: (Curadoria) de A a Z
Autor: Jens Hoffman
Tradução: João Sette Camara
Editora: Cobogó
Páginas: 100
Ano: 2017

Foto: Maurício Guilherme Silva Jr.

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