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Página inicial do Mestrado Profissional em Educação em Diabetes, Santa Casa BH

O diabetes é uma doença que traz consigo uma série de implicações e cuidados que envolvem não só o paciente, mas mobilizam a família e pessoas próximas. Além disso, os impactos no sistema público de saúde (e também no privado), seja no tratamento cotidiano, ou nas complicações, mostram-se bastante expressivos.

Buscando promover a qualidade de vida do paciente e também desonerar o sistema de saúde, evitando-se as internações decorrentes de um diabetes mal controlado, destaca-se o Mestrado profissional em Educação em Diabetes, iniciativa pioneira da Santa Casa BH e que, atualmente, já caminha para sua sétima turma.

De acordo com a Dra. Janice Sepúlveda Reis, coordenadora do programa, o mestrado surgiu da percepção de seus fundadores da necessidade de se formar profissionais de saúde aptos a compreender o diabetes de forma mais ampla. Essa proposta de formação encontra respaldo em centros de saúde voltados ao acolhimento dos pacientes diabéticos em países da Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. Segundo Janice, nesses lugares já existe, formalizada, a profissão de Educador em Diabetes. “No Brasil, existem alguns profissionais de saúde que fazem a educação, porém, não há uma remuneração correspondente ao exercício dessa atividade, e as pessoas acabam fazendo de boa vontade ou a mais”, explica.

Além dessas experiências no exterior, destacamos a iniciativa da Santa Casa BH, que acabou se tornando um grande laboratório de práticas integradas e multidisciplinares no tratamento do diabetes.

 “O atendimento da Santa Casa é 100% SUS e o que pudemos perceber ao longo dos anos é que os pacientes têm acesso aos recursos, que são oferecidos pelo governo – Minas Gerais é um dos poucos estados que fornece praticamente tudo para o paciente diabético -, mas não sabem usá-los. Então, fomos aprimorando o serviço, não só pelo lado assistencial, do atendimento em si, mas também para a educação em diabetes. Além disso, hoje, o fornecimento de insumos é vinculado ao paciente estar em programas de educação, o que não acontece: o governo entrega os insumos, mas não educa, porque não tem profissional qualificado”, explica.

Educação em Diabetes

Para Janice, ao levar o diabetes e a educação em diabetes para a formação stricto sensu, dentro do conceito do mestrado profissional, tem-se a oportunidade de se oferecer uma educação, voltada para a prática clínica, mas que também incorpora a possibilidade de realização de pesquisas na área.

“Quando a gente entra com a proposta de formar o educador, a gente quer trabalhar com qualquer profissional da área de saúde, que esteja envolvido no tratamento do diabetes. Mas a gente foca, principalmente, nos médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, educadores físicos, psicólogos, dentistas e fisioterapeutas. Isso porque são profissionais que, no dia a dia, já trabalham não só com o diagnóstico e tratamento, mas também com as complicações do diabetes”, pontua.

Com relação à formação, a coordenadora faz questão de frisar que o objetivo não é fazer com que, por exemplo, o fisioterapeuta, que trata do pé diabético, passe a prescrever, a fazer dieta, a fazer terapia com o paciente. O objetivo é permitir que ele entenda de todas as áreas que são fundamentais para, assim, ser capaz de esclarecer uma dúvida de um paciente, ou detectar um problema e encaminhá-lo a um especialista.

Ainda nesse aspecto, Janice destaca a importância de se unificar o discurso em relação à doença. “Esse é um grande problema que temos hoje: o médico fala uma coisa, o nutricionista fala outra, o psicólogo, outra e o paciente fica perdido. Então, essa formação também visa promover um conhecimento que permita às pessoas falar uma mesma língua.”

No que concerne às metodologias e estratégias empregadas na formação, a coordenadora destaca o desenvolvimento de material didático e intelectual, que engloba não apenas o conteúdo que o educador precisa aceder, mas instrumentos educacionais voltados aos pacientes. Tendo como premissa o empoderamento dos sujeitos, Janice destaca que a ideia é dar ao paciente o conhecimento para que ele possa tomar suas próprias decisões.

Ela ainda nos conta que, em relação aos projetos em andamento, muitos deles voltam-se à capacitação e ao treinamento de outros profissionais, como os agentes comunitários de saúde, que têm uma inserção muito boa nas comunidades, bem como os familiares. Há ainda o trabalho voltado à gestão em diabetes, que visa a otimização dos recursos.

“Nós temos conseguido atrair profissionais que atuam na gestão do diabetes. Pessoal das secretarias de saúde do interior, enfermeiros coordenadores de programas na cidade, em hospitais. Isso para nós é um bom resultado, pois vemos que está sendo promovida a inserção social do conhecimento: as pessoas vêm, fazem o curso e retornam para suas cidades, seus ambientes de atuação e começam a modificar as práticas de trabalho, o dia a dia das unidades de saúde, a gestão dos insumos”, destaca.

Somando forças

Outro ponto importante da formação do educador em diabetes é a abertura ao trabalho multidisciplinar e colaborativo. A coordenadora aponta que, no Brasil, grande parte do atendimento em diabetes é feito de forma individual, no entanto, tendo em vista experiências bem sucedidas no exterior, o serviço oferecido pela Santa Casa BH já tem um configuração diferenciada.

“A gente investe muito nesses projetos para demonstrar o resultado melhor do trabalho em grupo, principalmente para o SUS. Isso porque, dentre outras coisas, essa é uma estratégia poupadora de recursos. Então, temos grupos de nutrição, de obesidade, de hipertensos, de crianças, tudo isso para otimizar e dar mais qualidade a esse trabalho. Nós temos estudado essas estratégias e estamos tentando trazer pra cá o que países desenvolvidos já tem feito de uma forma mais ampla”, pontua.

Ela ainda destaca o potencial dessa estratégia não só para o SUS, mas para o atendimento do diabético de uma forma geral. Segundo a coordenadora, os principais centros de saúde de diabetes do mundo têm uma dinâmica muito diferente da brasileira. Nesses locais, a consulta com o médico dura de 10 a 15 minutos. Isso porque, como se tem uma equipe integrada e multidisciplinar, com o médico, o paciente faz o ajuste de medicação. Mas antes de chegar lá, ele passou pela nutrição, psicologia, fisioterapia, e o que mais for necessário.

De acordo com Janice, a inversão do atendimento trouxe muitos benefícios, dentre eles o aumento na marcação de primeiras consultas. “Esse é o modelo que temos implementado na Santa Casa de BH: quando o paciente chega ao serviço ele vai em tudo primeiro e, por último, vai ao médico. Ele vai à psicóloga, ao educador físico, à enfermeira. Participa dos grupos, participa do programa de educação que dura 50 minutos todos os dias de atendimento e, depois que ele já foi em tudo, ele tem uma consulta com o médico”, explica.

“O paciente educado é outro! Para você tem uma ideia, no SUS, a gente deve ter uns 400, 500 pacientes cadastrados. Todos têm meu celular! E vou te falar que não lembro qual foi a última vez que meu telefone tocou com uma chamada de um paciente do SUS. E olha que ele fica ligado 24h! Isso acontece porque eles não estão internando, eles não estão passando mal. Quando liga, é um paciente novo, que foi atendido recentemente e que ainda estava descompensado. Então, é uma sistemática muito interessante e que tem dado muito certo.”

Como resultado desse trabalho de formação, a coordenadora espera que os profissionais de saúde, que trabalham com diabetes, mudem sua mentalidade e passem a considerar o tratamento em equipe. Para Janice isso não é tarefa fácil, pois além de treinamento e formação, é necessário desenvolver a ideia e a disposição ao trabalho multidisciplinar. “A gente espera que as pessoas tenham não apenas o conhecimento, mas também o interesse em trabalhar em conjunto para esse paciente. Esse é o primeiro passo. O tratamento multidisciplinar evoca essa questão no serviço, a questão da educação, da informação. O foco é a qualidade de vida do paciente. Tudo isso que a gente faz é com o objetivo de que, ao final, o paciente atinja um bom controle, com uma facilidade maior e, assim, viva com mais saúde”, conclui.

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